
🥩 Lula na Ásia, Batista na comitiva: o reencontro improvável entre o presidente e os reis da carne
Durante viagem à Indonésia, Lula pode se reunir com os irmãos Joesley e Wesley Batista — velhos conhecidos da política e protagonistas de escândalos que marcaram o país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta quarta-feira (22) em Jacarta, capital da Indonésia, para uma série de compromissos oficiais com foco em ampliar as exportações brasileiras, especialmente de carne. Mas, segundo fontes próximas ao Planalto, o roteiro pode incluir um encontro fora da agenda: uma conversa com Joesley e Wesley Batista, os bilionários controladores da JBS, que também estão na região participando de um fórum empresarial.
Os irmãos, que deixaram a Tailândia rumo à Indonésia, se juntaram a cerca de 100 empresários e autoridades brasileiras que participam da missão comercial liderada pelo governo. O objetivo é tentar derrubar restrições impostas pela Indonésia à importação de carne bovina brasileira, um tema que interessa tanto ao Planalto quanto à JBS, uma das maiores processadoras de proteína animal do mundo.
Nesta quinta-feira (23), Lula deve se reunir oficialmente com o presidente indonésio, Prabowo Subianto, e discursar em um evento organizado pela Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN). Nos bastidores, porém, o que chama atenção é a presença dos irmãos Batista, cuja trajetória mistura sucesso empresarial, escândalos políticos e delações explosivas.
Não é segredo que o grupo JBS manteve estreitas relações com governos petistas e foi um dos pivôs da Operação Lava Jato. Na época, os próprios Batista confessaram pagamento de propina a partidos e políticos, inclusive do PT, em troca de benefícios e facilidades em contratos públicos.
Agora, anos depois, o cenário é outro: os mesmos empresários que admitiram corromper o sistema político voltam a dividir espaço — mesmo que informalmente — com o presidente que já foi um dos símbolos da luta contra a elite econômica.
Na diplomacia, chamam isso de “reaproximação estratégica”.
No Brasil real, parece mais um daqueles reencontros em que o passado é colocado sob o tapete — junto com as verdades incômodas.