🔒 Sigilo à moda da casa: governo Lula esconde telegramas sobre negócios dos irmãos Batista nos EUA

🔒 Sigilo à moda da casa: governo Lula esconde telegramas sobre negócios dos irmãos Batista nos EUA

Enquanto o “tarifaço” de Trump pressiona a carne brasileira, o Itamaraty tranca por cinco anos documentos diplomáticos que mencionam Joesley e Wesley Batista.

Em meio ao impasse comercial com os Estados Unidos, o governo Lula decidiu colocar sob sigilo de cinco anos dois telegramas diplomĂĄticos que tratam diretamente dos irmĂŁos Joesley e Wesley Batista — os mesmos que ganharam fama na Lava Jato e hoje sĂŁo donos do impĂ©rio JBS.

A equipe de reportagem pediu, com base na Lei de Acesso Ă  Informação, cĂłpias das comunicaçÔes trocadas entre o Itamaraty e a embaixada brasileira em Washington desde julho. Dos trĂȘs documentos encontrados, apenas um foi liberado: o que mostra a embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti analisando o impacto do tarifaço de 50% sobre a carne bovina brasileira nos EUA.

Os outros dois telegramas — datados de 14 e 31 de julho — foram trancados a sete chaves. Segundo o Itamaraty, tratam de “investimentos de empresas brasileiras nos Estados Unidos” e de “assuntos parlamentares” entre os dois paĂ­ses. Nada alĂ©m disso. O conteĂșdo integral, porĂ©m, permanece inacessĂ­vel atĂ© 2030.

O motivo alegado? O risco de “prejudicar as negociaçÔes diplomĂĄticas” ou “colocar em perigo as relaçÔes internacionais do Brasil”. A justificativa, assinada pelo ministro-conselheiro Kassius Diniz da Silva Pontes, Ă© a mesma usada anteriormente para proteger documentos sobre os negĂłcios da J&F na Venezuela de NicolĂĄs Maduro.

Enquanto isso, os irmĂŁos Batista seguem bem posicionados. Em setembro, Joesley esteve na Casa Branca com Donald Trump para discutir a taxação sobre a carne brasileira. A empresa dos dois, JBS, Ă© lĂ­der mundial em processamento de proteĂ­na animal e mantĂ©m nove fĂĄbricas nos EUA, paĂ­s que representa metade do faturamento global da companhia — US$ 77 bilhĂ”es em 2024.

Vale lembrar que uma das subsidiĂĄrias da JBS, a Pilgrim’s Pride, foi tambĂ©m uma das maiores doadoras do comitĂȘ de posse de Trump e do vice J.D. Vance, com US$ 5 milhĂ”es — mais do que Boeing, Uber ou McDonald’s.

No meio dessa carne de primeira e diplomacia bem passada, sobra a pergunta: por que tanto segredo?
Parece que, no governo, a transparĂȘncia continua sendo servida em porçÔes controladas — e sĂł para quem tem o paladar certo.

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