À beira dos 80, Lula admite crise da esquerda e busca reaproximação com o povo

À beira dos 80, Lula admite crise da esquerda e busca reaproximação com o povo

Presidente critica falta de conexão do PT com eleitores, reconhece eficiência da direita nas redes e fala sobre planos para 2026

Às vésperas de completar 80 anos, Luiz Inácio Lula da Silva tem usado aparições públicas para desabafar sobre questões que o inquietam. Entre elas, destacam-se a crise da esquerda, o futuro do PT e a motivação para disputar um quarto mandato presidencial.

Na quinta-feira, durante um encontro do PCdoB, Lula relatou as dificuldades que enfrentou ao gravar um vídeo de incentivo aos socialistas europeus. “Fiquei pensando que mensagem poderia dar para as pessoas que ainda querem ser de esquerda. Não é fácil”, confessou.

O presidente reconheceu o crescimento da extrema direita e admitiu que o campo progressista não tem conseguido convencer o eleitorado. “Nós nos distanciamos do povo. Do jeito que está, não dá. Temos que mudar”, afirmou, destacando a necessidade de novas estratégias para reconectar-se com a população.

Ao falar sobre a disputa eleitoral de 2026, Lula ressaltou a importância de atualizar seu discurso. “Eu serei candidato para quê? Para continuar falando de Bolsa Família? É preciso pensar num país maior”, disse, indicando que quer ampliar o foco da campanha.

O tema já havia sido levantado em setembro, em Nova York, quando Lula se reuniu com outros líderes progressistas. Na ocasião, ele questionou: “Onde foi que a esquerda errou? Por que permitimos que a extrema direita crescesse com a força que está crescendo? É virtude deles ou incompetência nossa?”

No encontro do PCdoB, o presidente também citou a comunicação como ponto crítico. Segundo ele, a esquerda acaba falando apenas para convertidos, enquanto perde espaço nas redes sociais. Embora o governo tenha reforçado sua presença digital, algumas estratégias parecem recicladas, como o uso da expressão “Governo do Brasil” em campanhas, já empregada na gestão de Fernando Collor em 1990.

Apesar do tom de autocrítica, Lula deixou claro que não perdeu o apetite pelo poder. Caso seja reeleito, poderá permanecer no cargo até os 85 anos. “Tenho disposição para mais umas cinco eleições”, disse, reafirmando sua ambição política.

Em outro episódio, ao ser advertido por um aliado sobre possíveis erros em indicações para o Supremo Tribunal Federal, Lula respondeu com firmeza: “Passei 580 dias em Curitiba lembrando esses erros. Pode ter certeza que eu já pensei mais nisso do que você”, mostrando que a experiência passada ainda guia suas decisões atuais.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias