
Premiê alemão provoca reação ao dizer que “todos ficaram aliviados ao deixar Belém” após COP30
Friedrich Merz afirmou que jornalistas que o acompanharam não quiseram permanecer na capital paraense — comentário contrasta com elogios feitos dias antes ao governo brasileiro.
O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, criou um clima de desconforto diplomático ao comentar sua passagem por Belém, sede da COP30. Durante um discurso no Congresso Alemão do Comércio, no último dia 13, ele afirmou que nenhum dos jornalistas que o acompanharam durante a Cúpula dos Líderes quis permanecer na cidade. Pelo contrário — segundo ele, todos teriam ficado “felizes de voltar para a Alemanha”.
Merz abriu o comentário comparando a Alemanha ao Brasil:
“Perguntei aos jornalistas que estavam comigo: ‘Quem gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos estavam felizes de ter retornado da cidade que acabávamos de visitar”, declarou.
A fala, transmitida no YouTube e registrada no site oficial do governo alemão, contrasta com o tom diplomático usado pelo próprio Merz durante sua estadia no Brasil. Em Belém, ele se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 7 de novembro, ocasião em que — segundo nota divulgada pelo Planalto — teria elogiado a organização da COP30, a infraestrutura do evento e a escolha da cidade como sede.
Além disso, o governo alemão anunciou que pretende investir um valor considerado “significativo” no Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), iniciativa brasileira que remunera áreas preservadas de floresta. O montante, no entanto, não foi revelado — o que frustrou parte das expectativas do governo brasileiro.
Merz afirmou que o aporte está garantido, mas que o valor ainda depende de negociação com sua coalizão na Alemanha. Ele também reconheceu que os políticos alemães ainda precisam entender melhor como o fundo funciona.
Enquanto isso, ministros brasileiros seguem reunidos para tentar fechar consenso sobre os acordos finais da COP30, que continua sendo palco de debates intensos sobre meio ambiente, financiamento climático e preservação da Amazônia.
A fala de Merz, porém, adicionou um novo ingrediente polêmico à já sensível relação entre diplomacia, meio ambiente e política internacional.