
A Neutralidade que Escolhe Lado: o Desconvite de Flávio Bolsonaro no Palanque do SBT
Enquanto prega “apartidarismo”, emissora abre espaço seletivo para Lula e Moraes e afasta vozes da direita
O discurso de neutralidade do SBT voltou a ser colocado em xeque após as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o evento de lançamento do SBT News. Segundo ele, o convite para participar da cerimônia existiu, sim — mas foi retirado discretamente, em cima da hora, para evitar um “constrangimento” diante da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Alexandre de Moraes.
Na prática, o que se viu foi o velho roteiro conhecido: a emissora afirma não ter lado político, mas monta um palco onde apenas um lado fala, sorri, discursa e posa para fotos. Flávio relata que estava preparado para comparecer, sem objeções institucionais, até ser avisado de que sua presença poderia gerar manchetes “indesejadas”. Traduzindo: a imagem de harmonia construída em torno de Lula não poderia ser arranhada.
O senador afirmou que, no primeiro momento, ficou chateado com o recuo do convite. Depois, ao assistir ao evento, entendeu o motivo real: o lançamento do canal virou um espaço confortável para figuras que, segundo ele, têm atuado contra pilares básicos da democracia, como a liberdade de expressão e o devido processo legal. Para Flávio, o SBT não apenas escolheu convidados — escolheu um lado.
O contraste ficou ainda mais evidente quando as filhas de Silvio Santos reforçaram publicamente o discurso de “apartidarismo”. Na teoria, ninguém é excluído. Na prática, apenas a esquerda teve microfone, holofote e tratamento institucional. Lula e Moraes foram celebrados; representantes da direita, quando muito, tolerados — e alguns, como Flávio, gentilmente empurrados para fora do palco.
A tentativa de negar o desconvite, feita por Fábio Faria, não convenceu o senador. Segundo ele, não foi preciso dizer “com todas as letras”. A mensagem foi clara o suficiente para quem sabe ler o ambiente: a presença de um Bolsonaro não combinava com o enredo cuidadosamente montado para aquela noite.
O episódio reforça a crítica que cresce nas redes: não basta dizer que não tem lado político — é preciso provar. Quando só um campo ideológico é acolhido, ovacionado e protegido de qualquer desconforto, a neutralidade vira apenas um slogan bonito, repetido no discurso, mas desmentido pelas imagens.