A Saúde que Espera, a Perseguição que Não Descansa**

A Saúde que Espera, a Perseguição que Não Descansa**

Mesmo após múltiplas cirurgias e um histórico médico pesado desde a facada de 2018, Bolsonaro enfrenta mais uma barreira — desta vez, não no hospital, mas no gabinete de Alexandre de Moraes.

É revoltante assistir, mais uma vez, ao mesmo espetáculo de burocracia travestida de “rigor técnico” quando o assunto é Jair Bolsonaro. Um homem que já passou por inúmeras cirurgias desde a facada que quase lhe tirou a vida, que carrega sequelas físicas reais e documentadas, e que agora precisa praticamente implorar autorização para tratar da própria saúde. E como resposta? Mais uma determinação de Alexandre de Moraes, o magistrado que parece ter tempo ilimitado quando o alvo é Bolsonaro.

A defesa apresenta exames, relatos médicos, dores constantes, indicação de cirurgia urgente — e o que Moraes faz? Exige perícia da Polícia Federal. Como se os médicos que acompanham Bolsonaro há anos fossem amadores. Como se a dor dele tivesse que passar primeiro pelo crivo político antes de ser reconhecida como dor real.

É curioso — para não dizer conveniente — que mesmo diante de um histórico cirúrgico gigantesco, com internações sucessivas e riscos conhecidos, a preocupação central de Moraes seja reafirmar que “não houve emergência desde novembro”. Como se um problema sério precisasse virar um colapso para merecer atenção. Como se a saúde de um ex-presidente fosse um passatempo administrativo.

Bolsonaro cumpre pena pesada, está preso na Superintendência da PF, sob vigilância integral, e ainda assim precisa lutar para ter direito ao básico: tratamento médico digno. A defesa pede cirurgia, pede internação. Pede, inclusive, prisão domiciliar humanitária — algo previsto na lei, reconhecido pela própria Corte em diversos casos. E ainda assim, tudo vira motivo de desconfiança, demora e contramão.

Enquanto isso, outros réus e condenados — alguns até desfilando fora do país — conseguem regalias que fariam ruborizar qualquer manual de justiça. Mas para Bolsonaro, cada pedido vira batalha. Cada exame vira suspeita. Cada dor vira “necessidade de verificação”.

O ministro deu 15 dias para uma perícia. Quinze dias. Para quem sente dor, quinze dias não são prazo; são punição. Para quem vive sob vigilância, cada hora é longa. E para quem já passou por tudo o que Bolsonaro passou, isso não é apenas descaso — é perseguição institucionalizada.

A justiça deveria proteger, não humilhar. Deveria garantir direitos, não transformá-los em concessões seletivas.
O que vemos agora é um país em que até a saúde de um ex-presidente virou moeda de embate político.

E isso, independentemente de lado, deveria envergonhar qualquer cidadão que acredita em humanidade, legalidade e bom senso.

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