Acadêmicos de Niterói: de protagonistas a “perseguidos” da vez

Acadêmicos de Niterói: de protagonistas a “perseguidos” da vez

Depois do enredo sobre Lula, escola pede julgamento “justo” e diz ter sido alvo de pressão

Após levar para a avenida um desfile inteiro dedicado ao presidente Lula, a escola de samba Acadêmicos de Niterói divulgou nota afirmando que foi alvo de perseguições políticas durante a preparação para o Carnaval. Agora, a agremiação pede que a apuração seja “justa, técnica e transparente”.

A escola abriu os desfiles do Grupo Especial com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, contando a trajetória do presidente desde a infância no Nordeste até o retorno ao Palácio do Planalto. A escolha do tema, em ano eleitoral, provocou reações imediatas da oposição e uma série de ações judiciais tentando barrar a apresentação.

“Tentaram nos calar”, diz a escola

Na nota, a Acadêmicos afirma que enfrentou ataques políticos, pressões de setores conservadores e até tentativas de interferência na sua autonomia artística. Segundo o texto, houve pedidos para alterar o enredo e questionamentos sobre a letra do samba.

A escola sustenta que resistiu às pressões e que levou à Marquês de Sapucaí um desfile “verdadeiro e coerente” com sua identidade. Também citou o que chamou de “narrativa injusta” no Carnaval — a ideia de que escolas recém-promovidas acabam rebaixadas — e reforçou o pedido por uma avaliação imparcial.

O desfile e as provocações políticas

A apresentação incluiu referências diretas à trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, com alegorias representando o agreste pernambucano, o movimento sindical e a posse presidencial. Houve também críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado em um dos carros alegóricos em alusão à sua situação judicial.

A comissão de frente trouxe uma encenação da rampa do Planalto e representações de figuras políticas, como o ministro Alexandre de Moraes, além dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer.

Batalha nos tribunais

Antes mesmo de a escola entrar na avenida, o enredo virou alvo de pelo menos dez ações judiciais e representações em órgãos de controle. Os questionamentos apontavam possível propaganda eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos.

O caso chegou ao Tribunal Superior Eleitoral, que negou pedidos para impedir o desfile, sob o argumento de que a proibição poderia configurar censura prévia. Ainda assim, ministros alertaram que eventuais irregularidades poderiam ser analisadas posteriormente.

Após o desfile, partidos de oposição anunciaram novas medidas judiciais, alegando que houve promoção eleitoral antecipada.

Ironia no ar

O tom da nota da Acadêmicos mistura celebração e queixa. Depois de protagonizar um dos desfiles mais politizados da história recente da Sapucaí, a escola afirma ter sido alvo de perseguição e pede tratamento técnico na apuração.

A mensagem final foi enfática: “Em Niterói, o amor venceu o medo.”

Resta saber se, na hora das notas, o clima será apenas carnavalesco — ou se a política continuará desfilando junto com os jurados.

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