
Acordos que encolheram
Governo Lula arrecada menos e frustra expectativas no combate à corrupção
Ao final do terceiro ano do atual mandato, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a um balanço que tem provocado críticas e descontentamento. Apesar do discurso de fortalecimento institucional e combate à corrupção, os números dos acordos de leniência mostram um desempenho muito abaixo do observado na gestão anterior.
Durante o chamado Lula 3, foram firmados apenas nove acordos de leniência, com previsão de arrecadação de R$ 1,54 bilhão aos cofres públicos. O valor é expressivamente menor — cerca de seis vezes inferior — ao registrado no mesmo período do governo Jair Bolsonaro, quando 11 acordos resultaram em R$ 9,3 bilhões em ressarcimentos entre 2019 e 2021.
Na gestão passada, somente três grandes empresas — Braskem, OAS e Camargo Corrêa — responderam por aproximadamente R$ 6,2 bilhões, evidenciando um ritmo mais intenso de responsabilização e recuperação de recursos desviados. Já no atual governo, o maior acordo firmado alcançou R$ 728 milhões, envolvendo empresas de Singapura e o Estaleiro Jurong Aracruz, em um caso relacionado a pagamento de propinas em contratos da Petrobras entre 2007 e 2014.
Outro dado que reforça a percepção de fracasso é o volume efetivamente pago pelas empresas. No governo Lula, os valores recolhidos somaram R$ 3,39 bilhões, quantia 25% menor do que os R$ 4,54 bilhões devolvidos ao erário no mesmo intervalo da administração Bolsonaro, segundo dados da CGU e da AGU.
O contraste entre o discurso político e os resultados concretos tem alimentado críticas de que o atual governo falhou em manter o rigor na celebração e execução dos acordos de leniência. Para opositores, os números expõem uma gestão menos eficiente na recuperação de recursos públicos e no enfrentamento de grandes esquemas de corrupção, frustrando expectativas de quem aguardava avanços e não retrocessos.