Oposição venezuelana afirma que prisão de Maduro foi fruto de acordo

Oposição venezuelana afirma que prisão de Maduro foi fruto de acordo

Captura do líder venezuelano teria sido resultado de negociação, e não apenas ação militar dos EUA

Fontes ligadas à oposição da Venezuela afirmam que a captura de Nicolás Maduro não ocorreu exclusivamente por meio de uma ofensiva militar, mas sim como resultado de uma negociação prévia. A informação ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar neste sábado (3) que o líder venezuelano foi detido e retirado do país após uma ação contra Caracas.

De acordo com informações divulgadas pela Sky News, integrantes da oposição avaliam que a saída de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, teria sido parte de uma chamada “saída negociada”, construída em meio ao aumento das pressões políticas e militares exercidas por Washington sobre o regime venezuelano.

Nos últimos meses, a tensão na América Latina e no Caribe se intensificou consideravelmente. Os Estados Unidos passaram a anunciar uma série de operações contra a Venezuela, oficialmente justificadas pelo combate ao tráfico internacional de drogas. Na prática, essas ações ampliaram o confronto direto entre os dois países e colocaram Maduro no centro das ameaças do governo norte-americano.

O presidente venezuelano foi apontado por Washington como líder do Cartel de los Soles, grupo recentemente classificado pelos Estados Unidos como organização terrorista internacional. Essa acusação elevou o tom do embate e abriu caminho para o avanço das operações militares na região.

Antes da ofensiva final, Maduro chegou a demonstrar disposição para dialogar com Donald Trump. Em entrevista concedida ao jornalista Ignacio Ramonet, publicada na quinta-feira (1º), ele afirmou estar aberto a conversas e revelou que, no fim de novembro de 2024, manteve um contato direto com o então presidente americano, descrevendo o diálogo como cordial. Segundo Maduro, no entanto, os acontecimentos posteriores acabaram tomando um rumo negativo.

Após esse contato, Trump endureceu o discurso e ampliou a retórica militar, dando sequência a uma ofensiva iniciada no segundo semestre do ano passado. A operação contra a Venezuela se soma a outras ações conduzidas desde agosto de 2024, quando forças norte-americanas intensificaram sua presença no Caribe e no Pacífico.

A mobilização militar incluiu fuzileiros navais, navios de guerra, o porta-aviões USS Gerald R. Ford, um submarino nuclear e caças F-35. Dados divulgados até o momento indicam que mais de 20 embarcações foram bombardeadas durante a chamada Operação Lança do Sul, cujo objetivo declarado é conter o tráfico de drogas na região.

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