
Agrishow em Ribeirão Preto vira palco político: Tarcísio e Flávio Bolsonaro dão largada à pré-campanha em São Paulo
Feira do agronegócio se transforma em vitrine eleitoral, enquanto Tarcísio tenta abrir caminho para Flávio no coração produtivo paulista
No interior de Ribeirão Preto, onde o cheiro de terra e máquina agrícola costuma falar mais alto que o barulho da política, a abertura da Agrishow nesta segunda-feira ganhou um tom diferente — quase como se o campo tivesse virado palanque.
De um lado, o governador Tarcísio de Freitas, que busca consolidar sua força para a reeleição. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro, já se movimentando como pré-candidato à Presidência. Juntos, eles não apenas participaram do evento — deram um recado claro: a corrida eleitoral começou, e São Paulo é peça-chave nesse tabuleiro.
Até então, os encontros entre os dois eram discretos, quase silenciosos, restritos a bastidores e cerimônias formais. Agora, a exposição é outra. A presença conjunta na maior feira do agro da América Latina não parece coincidência — é estratégia.
A Agrishow, conhecida por reunir gigantes do setor, produtores e investidores, virou uma espécie de vitrine cobiçada. Em ano eleitoral, quem pisa ali não está apenas interessado em tecnologia agrícola ou negócios — está de olho em apoio, influência e, claro, votos.
Nesse cenário, Tarcísio assume um papel delicado: além de cuidar da própria campanha, precisa ajudar a reduzir resistências do agronegócio em relação a Flávio. Uma missão que, nos bastidores, é vista como essencial para fortalecer a candidatura presidencial do senador em território paulista.
Outros nomes também circulam pelo evento, como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, mostrando que a disputa pelo apoio do agro está longe de ser exclusividade de uma única frente política.
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por não comparecer, sendo representado pelo vice Geraldo Alckmin e ministros. Uma ausência que, em política, nunca é apenas ausência — também comunica.
No fim das contas, o que era para ser apenas uma feira de inovação agrícola virou um retrato antecipado das eleições: discursos calibrados, presenças calculadas e um campo — literalmente — fértil para disputas que vão muito além da lavoura.