
Alckmin celebra corte de tarifas dos EUA e diz que Norte do Brasil é o maior beneficiado
Vice-presidente afirma que redução anunciada por Trump derruba impostos sobre produtos como castanha-do-pará e suco de laranja — e garante que negociações da COP30 não interferem no diálogo comercial
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, apareceu em Belém com um raro sorriso de “alívio econômico”. Segundo ele, a decisão do governo Donald Trump de reduzir em 10% as tarifas aplicadas a produtos exportados aos Estados Unidos deve dar um fôlego direto às mercadorias produzidas no Norte do Brasil — aquelas que carregam o cheiro da floresta e sustentam milhares de famílias.
Alckmin explicou que, antes da nova ordem executiva, quase metade do que o Norte exportava pagava uma tributação salgada: 10% mais 40%. Agora, essa alíquota cai para 28%. E alguns produtos, como a castanha-do-pará com casca e o suco de laranja, simplesmente zeraram o imposto — um alívio raro no comércio internacional.
“Reduziu 10% na carne, no suco de frutas, na pimenta seca, na castanha-do-pará, no palmito, nas geleias, no cacau… E no caso da castanha com casca e do suco de laranja, acabou o imposto”, comemorou o vice.
Ele também descartou qualquer relação entre as negociações da COP30 e as conversas com os Estados Unidos sobre o tarifaço, reforçando que o Brasil quer avançar ainda mais na redução das tarifas — uma pauta que se arrasta desde o início do governo norte-americano.
COP30 em reta final: promessas acabaram, agora é cobrança
Alckmin deu as declarações durante uma coletiva no oitavo dia da COP30, ao lado de Marina Silva, da CEO da conferência, Ana Toni, do presidente do evento, André Corrêa do Lago, e do negociador-chefe brasileiro, Maurício Lyrio.
Ele aproveitou o momento para anunciar que 117 países já entregaram suas NDCs — compromissos individuais de redução de emissões. Uma semana antes, eram 111.
A conferência entrou hoje em sua fase decisiva. Até sexta-feira, países vão tentar fechar acordos sobre financiamento climático, tecnologia, mitigação e o temido “balanço global”, que mede se o mundo está cumprindo o que prometeu no Acordo de Paris. (Spoiler: não está.)
Ministros estrangeiros foram convocados como facilitadores das negociações. A espanhola Sara Aagesen vai ajudar no tema da mitigação; a mexicana Alicia Bárcena, na transição justa.
Para completar, anúncios recentes somam US$ 300 bilhões em investimentos climáticos — ainda muito abaixo do necessário para os próximos dez anos, segundo os próprios organizadores.
Uma semana para decidir quem paga a conta climática
Nesta reta final, o Brasil espera encaminhar acordos para receber novos financiamentos internacionais, além de avançar na adaptação climática e na bandeira que defende há anos: a eliminação dos combustíveis fósseis. O impasse permanece no mesmo ponto de sempre — quem coloca o dinheiro na mesa.