Em clima de tensão no Caribe, premiê de Trinidad e Tobago celebra chegada de tropas dos EUA

Em clima de tensão no Caribe, premiê de Trinidad e Tobago celebra chegada de tropas dos EUA

Aliada de Trump, Kamla Persad-Bissessar diz que presença militar americana ajuda a conter tráfico e enfrenta Maduro, que reage com retaliação

A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, deixou claro nesta segunda-feira (17) que vê com bons olhos a presença das forças dos Estados Unidos em seu país. Aliada do presidente Donald Trump, ela afirmou sentir “orgulho” ao receber militares americanos para novos treinamentos conjuntos — bem no momento em que Washington intensifica sua operação armada no Caribe contra grupos ligados ao narcotráfico, operação que também pressiona diretamente o governo de Nicolás Maduro, na Venezuela.

Os exercícios com a 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais são os segundos em menos de um mês no arquipélago, que fica a apenas 10 km da costa venezuelana. A movimentação acontece enquanto o gigantesco porta-aviões USS Gerald Ford, o maior da Marinha dos EUA, reforça as ações antidrogas iniciadas em agosto.

“Aliança que salva vidas”, diz premiê

Em uma publicação no X (antigo Twitter), Persad-Bissessar disse que a parceria militar com Washington já trouxe resultados concretos, como uma “redução significativa” no tráfico de armas, drogas e pessoas que atravessam o país.

Segundo ela, Trinidad e Tobago, “um país pequeno enfrentando redes criminosas transnacionais”, tem muito a ganhar ao manter os EUA ao seu lado.

Os Estados Unidos, por sua vez, afirmam já ter realizado cerca de 20 ataques contra embarcações usadas por supostos narcotraficantes, ações que teriam deixado ao menos 83 mortos.

A Casa Branca acusa Maduro de comandar um “cartel de drogas” que, segundo o senador Marco Rubio, deve ser classificado como grupo terrorista nos próximos dias — embora Trump tenha deixado no ar a possibilidade de diálogo com Caracas.

Maduro reage e crise diplomática cresce

O governo venezuelano não deixou passar. Caracas classificou Persad-Bissessar como persona non grata e suspendeu acordos de gás com Trinidad e Tobago em resposta ao alinhamento da premiê com Trump.

Mesmo assim, ela dobrou a aposta:

“Nossa parceria com os Estados Unidos já mostra resultados. Vamos seguir juntos até vencer essa guerra contra o crime”, declarou.

Oposição questiona: “Isso fere nossa soberania?”

Dentro de Trinidad e Tobago, a presença constante dos militares americanos também gera atrito. O ex-primeiro-ministro Keith Rowley, crítico do atual governo, relembrou que o país não abriga bases estrangeiras e afirmou que o governo deveria ser mais firme:

“Se os EUA pedem algo que não nos convém, temos direito de recusar. Isso é soberania.”

Com o clima cada vez mais tenso, a disputa de influência entre Washington e Caracas transforma o pequeno arquipélago em peça-chave do xadrez geopolítico no Caribe.

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