
Alcolumbre se ausenta de evento e aumenta sinais de tensão com o Planalto
Ausência em cerimônia dos 100 dias do pacto contra feminicídio reforça leitura de distanciamento político entre Senado e governo Lula
Bastidores apontam desgaste após rejeição de Jorge Messias ao STF e sucessivas derrotas do governo no Congresso
A ausência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em um evento considerado estratégico pelo governo federal acendeu um novo alerta no Palácio do Planalto sobre a relação entre Executivo e Legislativo. Ele não participou da cerimônia que marcou os 100 dias do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, realizada com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Supremo Tribunal Federal (STF) e de lideranças do Congresso.
Segundo a assessoria do senador, a ausência foi por motivos pessoais. Ainda assim, o fato de ser o único integrante da cúpula do Legislativo a não comparecer reforçou a percepção, entre aliados do governo, de um afastamento político em curso.
Planalto vê desgaste crescente na relação com o Senado
Na avaliação de integrantes do governo, a ausência não é um episódio isolado, mas parte de uma sequência de sinais de distanciamento entre Lula e Alcolumbre. Em eventos recentes, o senador também não teria participado de agendas importantes do Executivo, o que ampliou a leitura de esfriamento na relação institucional.
Na cerimônia desta quarta-feira, o Legislativo foi representado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, e pelo segundo vice-presidente do Senado, Humberto Costa. A composição foi vista no Planalto como uma substituição política relevante, diante da ausência do chefe da Casa.
Rejeição de indicação ao STF virou ponto de ruptura
Nos bastidores, a crise é associada principalmente à rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF. A decisão do Senado foi considerada uma derrota histórica para o governo, já que não ocorria rejeição de indicação ao Supremo há mais de um século.
Aliados do Planalto atribuem a Alcolumbre papel central na articulação contra a aprovação. Parlamentares relatam que o senador defendia outro nome para a Corte e atuou nos bastidores para consolidar votos contrários ao indicado do governo.
A indicação de Messias, anunciada por Lula em 2025, acabou sendo barrada em votação apertada no Senado, ampliando a tensão entre os poderes.
Congresso prioriza pautas próprias e amplia pressão sobre o governo
Além da disputa no STF, outras decisões recentes do Congresso também contribuíram para o desgaste. O Senado e a Câmara têm avançado em votações que contrariam interesses do governo federal, especialmente em temas orçamentários e de transferências para municípios.
A leitura entre aliados do Planalto é que o Legislativo tem adotado uma postura mais autônoma e menos alinhada às prioridades do Executivo, o que aumenta a dificuldade de articulação política.
Evento simbólico expõe clima de distanciamento institucional
Durante a cerimônia dos 100 dias do pacto, Lula esteve ao lado de ministros e representantes do Judiciário, mas sem a presença de Alcolumbre. A ausência ganhou peso simbólico justamente por se tratar de uma iniciativa construída entre os Três Poderes.
Embora o governo evite declarações públicas mais duras, interlocutores admitem que o episódio reforça a necessidade de recomposição do diálogo com o Senado para evitar novos impasses em votações estratégicas.
Bastidores apontam tentativa de reaproximação
Apesar do cenário de tensão, há movimentações internas para reduzir o atrito. Ministros e articuladores políticos do governo têm buscado canais de diálogo com o Senado para conter o desgaste e evitar novas derrotas legislativas.
A avaliação entre aliados é que, sem uma reaproximação institucional, o governo pode enfrentar dificuldades ainda maiores na tramitação de projetos prioritários nos próximos meses.