Alcolumbre trava sabatina de Messias e dispara contra o governo: “Uma omissão constrangedora”

Alcolumbre trava sabatina de Messias e dispara contra o governo: “Uma omissão constrangedora”

Presidente do Senado cancela análise do indicado de Lula ao STF e acusa o Planalto de atropelar o Legislativo — um desgaste político que só aumenta.

O clima em Brasília voltou a ficar elétrico. Davi Alcolumbre, presidente do Senado, anunciou nesta terça-feira (2) que a sabatina de Jorge Messias — escolha de Lula para o Supremo Tribunal Federal — está oficialmente suspensa. A sessão estava marcada para 10 de dezembro, mas não vai mais acontecer.

E o motivo, segundo Alcolumbre, é tão simples quanto constrangedor: o governo simplesmente não enviou ao Senado a mensagem formal confirmando a indicação. Sem esse documento, nenhum passo oficial pode ser dado.

Para o senador, trata-se de uma falha tão séria que ele classificou como “grave e sem precedente”. Ele acusou o Executivo de atrapalhar deliberadamente o cronograma de um processo que é prerrogativa do Legislativo.

Alcolumbre explicou que, para evitar questionamentos sobre ilegalidades no procedimento, tanto ele quanto a CCJ decidiram cancelar tudo — leitura do parecer, vistas coletivas, sabatina e votação no plenário. O calendário agora está em pausa, sem previsão de retomada.

Uma insatisfação que já vinha crescendo

Messias foi indicado por Lula no dia 20 de novembro e sua nomeação apareceu no Diário Oficial ainda naquele mesmo dia. Mesmo assim, o Senado não recebeu a comunicação oficial. Alcolumbre não esconde o incômodo: além de ser avisado pela imprensa, ele já deixou claro que preferia outro nome — o do senador Rodrigo Pacheco.

No último domingo (30), ele já havia endurecido o tom, afirmando que “nenhum Poder está acima do outro” e acusando o governo de tentar interferir no calendário da Casa.

Agora, com o cancelamento da sabatina, a crise fica explícita: a articulação política do Planalto falhou e gerou um desgaste desnecessário justamente no momento em que Lula precisa de votos para aprovar seu indicado.

O Senado quer respeito — o Planalto, pressa

O relator do processo na CCJ, senador Weverton Rocha, deveria apresentar seu parecer nesta quarta-feira (3). E a sabatina de Messias estava marcada para o dia 10, seguida da votação em plenário.

Nada disso deve ocorrer até que o governo cumpra o básico: enviar o texto que formaliza a escolha.

Enquanto isso, Messias — que já enfrenta resistências, especialmente de Alcolumbre — segue tentando costurar apoios entre senadores.

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