
Aliado de Trump crítica Moraes e diz que STF tenta comandar o Brasil no lugar de Lula
Jason Miller acusa o ministro do STF de autoritarismo e o responsabiliza por perseguição contra Bolsonaro. Ele afirma que Moraes busca protagonismo internacional e quer “calar os adversários”.
O empresário Jason Miller, estrategista e conselheiro próximo do ex-presidente dos EUA Donald Trump, voltou a disparar críticas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, Moraes estaria buscando os holofotes nas decisões judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tentando “mostrar ao mundo que é ele quem manda no Brasil — não Lula”.
Em uma publicação nesta segunda-feira (21) na rede social X (antigo Twitter), Miller declarou: “Moraes quer que o mundo saiba que ele comanda o Brasil. Ele não pode nos silenciar.”
As críticas vieram na esteira da operação da Polícia Federal autorizada por Moraes na sexta-feira (18), que incluiu medidas cautelares contra Bolsonaro. O ministro entendeu que o ex-presidente tentou interferir no processo ao criar obstáculos econômicos nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Na ocasião, Miller acusou Moraes de agir com “táticas ditatoriais” e pediu que Bolsonaro “permaneça forte”.
Conexões com Eduardo Bolsonaro e pressão nos EUA
Jason Miller, embora não ocupe cargo oficial no governo norte-americano, tem ligação direta com o núcleo bolsonarista. Ele é próximo do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos tentando pressionar autoridades locais para aplicar sanções contra o ministro do STF. Em abril, Miller já havia chamado Moraes de “ameaça à democracia” após uma entrevista do magistrado à revista The New Yorker.
Além de estrategista político, Miller é fundador da rede social Gettr — plataforma que passou a abrigar usuários de extrema-direita banidos de redes como Twitter e Facebook.
Passagem pelo Brasil e inquérito das milícias digitais
Miller já esteve envolvido diretamente com investigações brasileiras. Em setembro de 2021, foi recepcionado pela família Bolsonaro no Palácio da Alvorada. Na saída do país, foi abordado pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília e prestou depoimento no inquérito das “milícias digitais”, conduzido por Alexandre de Moraes.
Mesmo sem cargo formal, Miller segue atuando como uma das vozes internacionais do bolsonarismo, aproveitando sua proximidade com Trump para impulsionar críticas à Justiça brasileira e alimentar a retórica de perseguição política.