
Anistia virou “redução de pena”
Paulinho da Força tenta costurar acordo e jura fidelidade ao STF no caso 8 de Janeiro
O projeto que nasceu com cara de “anistia ampla, geral e irrestrita” para os condenados do 8 de Janeiro agora veste um figurino mais comportado: virou “dosimetria de penas”. O relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP) deixou claro que não vai comprar briga com o Supremo Tribunal Federal. Nas palavras dele: “Não vou construir nenhum projeto que afronte o STF”. Traduzindo: perdão total, nem pensar; o que pode sair é só um alívio na sentença.
A jogada, na prática, é um pacto de conveniência. Congresso, Executivo e Supremo tentam se alinhar para evitar mais atrito institucional. O governo, em troca, pode liberar outras pautas — como a promessa de isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e a PEC da segurança pública.
Enquanto isso, a ala bolsonarista esperneia, porque o que realmente queria era a anistia completa, algo que poderia salvar até o próprio Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão. Paulinho, porém, insiste que vai dialogar com todos — do PT a Flávio Bolsonaro, passando por Ciro Nogueira.
No fim, o nome do jogo mudou, mas a peça continua a mesma: uma tentativa de aliviar a barra de quem atentou contra a democracia, só que agora com selo de “respeito institucional”. É como trocar a embalagem do produto para disfarçar o gosto amargo que continua igual.