
Lulinha no olho do furacão: CPMI recebe relato que fala em “mesada milionária” ligada ao Careca do INSS
Depoimento entregue à comissão reacende suspeitas, causa desconforto no Planalto e empurra o filho do presidente para o centro de uma crise que só cresce
A novela do INSS ganhou mais um capítulo daqueles que fazem Brasília prender a respiração. Segundo reportagem do Poder360, a CPMI recebeu documentos que levantam a possibilidade de uma relação muito mais próxima do que se imaginava entre Fábio Luís Lula da Silva — o famoso Lulinha — e Antônio Carlos Camilo Antunes, o já conhecido “Careca do INSS”, apontado como figura central no esquema de fraudes envolvendo empréstimos para aposentados.
As informações, enviadas pela própria Polícia Federal, incluem o depoimento de Edson Claro, um ex-funcionário do “Careca”. Ele afirmou que Lulinha teria recebido algo em torno de R$ 25 milhões (sem detalhes sobre moeda ou origem) e ainda uma suposta “mesada” mensal de cerca de R$ 300 mil. Isso sem contar viagens relatadas à Portugal, que levantaram mais sobrancelhas do que passaporte em aeroporto europeu.
Dentro da PF, porém, o clima é de divisão. Uma ala defende acelerar a investigação para confirmar ou descartar qualquer crime. Outra aposta na cautela, alegando que as provas ainda são frágeis demais. Por ora, prevalece a visão de que não há ligação direta entre Lulinha e as fraudes, mas a proximidade com personagens-chave segue sendo analisada com lupa e boa dose de desconfiança.
Enquanto isso, ninguém envolvido admite irregularidades. Surpresa zero.
CPMI quer ouvir, de viva voz, quem está no centro da história
A CPMI já deve votar ainda hoje o requerimento para convocar Lulinha a depor. Até agora, apenas ex-funcionários, mensagens de WhatsApp e relatórios do Coaf traçaram o mapa da confusão. Mas os parlamentares querem ouvir diretamente quem está no epicentro desse turbulento enredo.
Segundo o Poder360, antes de Fábio Luís se mudar para a Espanha em julho, houve até movimentação do Planalto para tentar evitar o que o governo chama de “perseguição política”. Se houve articulação, funcionou por pouco tempo — o noticiário mostra que a maré virou.
Rastros financeiros e conexões incômodas
Relatórios do Coaf também apontam movimentações envolvendo Ricardo Bimbo Troccolli, secretário do PT, que teria pago valores ao ex-contador da família Lula. Outra personagem que entra na trama é Roberta Moreira Luchsinger, que, de acordo com documentos enviados à CPMI, discutia com o “Careca do INSS” maneiras de circular dinheiro suspeito. O Coaf ainda aponta que ela recebeu mais de R$ 1 milhão de Antunes.
Roberta nega qualquer relação com descontos fraudulentos no INSS e diz que sua atuação foi limitada a conversas sobre regulação do mercado de canabidiol — que nunca saíram do papel. Afirma também manter relação pessoal com Lulinha e sua família.
Enquanto isso, o advogado de Antunes preferiu o clássico “não vou comentar”.
O resultado? Mais uma nuvem pesada paira sobre a CPMI do INSS, que já investiga fraudes milionárias, golpes contra aposentados e um emaranhado de relações políticas que parece crescer a cada dia. E agora, com o nome de Lulinha circulando em depoimentos, conversas e relatórios, o clima político promete esquentar como panela de pressão esquecida no fogo.
A CPMI ainda não chegou ao fim, mas uma coisa já está clara: quanto mais ela avança, mais Brasília se contorce.