Ano eleitoral chegando, afeto reaparece: o “amor” político volta ao centro do discurso

Ano eleitoral chegando, afeto reaparece: o “amor” político volta ao centro do discurso

Raquel Lyra elogia Lula, agradece investimentos e dribla perguntas sobre 2026, em um roteiro já conhecido da política brasileira

Em política, coincidências costumam ter data marcada — e, curiosamente, elas quase sempre caem em ano eleitoral. Foi nesse clima que a governadora Raquel Lyra resolveu abrir o coração e declarar publicamente sua “gratidão” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A fala aconteceu em entrevista à Rádio Jornal, nesta sexta-feira (20), e soou como música conhecida aos ouvidos mais atentos.

Segundo Raquel, Lula teria garantido, logo no início do mandato, que Pernambuco não ficaria sem apoio federal. Agora, com investimentos desembarcando no estado, a governadora fez questão de contrastar o presente com o passado, lembrando que Pernambuco teria passado uma década “brigado” com presidentes anteriores, enquanto outros estados avançavam.

O discurso veio bem calibrado: gratidão ao Planalto, crítica aos governos anteriores e a promessa de um novo tempo. Raquel afirmou que sua gestão conseguiu “virar a página”, arrumar as contas públicas e recuperar a credibilidade do estado junto a empresários. No tom otimista, destacou recordes de empregos formais e garantiu que não quer ser “sócia do empreendimento”, mas sim “sócia do sucesso”.

Tudo muito bonito — e muito oportuno.

Quando o assunto virou eleição de 2026, o tom mudou. A governadora passou a usar o velho manual da cautela política: disse que ainda há tempo para definir a chapa, que tudo será resolvido até julho ou agosto e que, por ora, sua prioridade é “governar”. Sobre a vice Priscila Krause, apenas elogios e nenhuma confirmação.

“É minha parceira”, disse Raquel, destacando afinidades de valores e convivência política. Mas deixou claro que, no jogo eleitoral, nada está escrito em pedra — especialmente quando alianças nacionais entram em cena.

No fim das contas, a entrevista deixou aquela sensação familiar: quando o calendário eleitoral se aproxima, a gratidão floresce, os elogios ganham holofote e o amor político reaparece, sempre acompanhado de investimentos, discursos bem ensaiados e muitas reticências sobre o futuro. Afinal, na política brasileira, desconfiança também é uma forma de maturidade.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags