
Antes da indicação ao STF, Lula tenta novo acerto com o Senado
Presidente deve voltar a conversar com Davi Alcolumbre antes de oficializar o nome de Jorge Messias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve procurar novamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), antes de encaminhar ao Congresso a indicação formal de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa no Planalto é de que essa conversa aconteça antes da abertura do ano Legislativo, marcada para 2 de fevereiro.
Nos bastidores, a avaliação é de que Lula quer evitar novos desgastes políticos. No ano passado, Alcolumbre demonstrou resistência ao nome de Messias e defendia que o indicado fosse o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que contava com maior apoio entre os senadores.
Lula e Alcolumbre já haviam tratado do assunto em dezembro, durante um encontro no Palácio da Alvorada, próximo ao Natal. Ainda assim, integrantes do governo afirmam que o presidente considera necessário reabrir o diálogo antes de enviar oficialmente a mensagem ao Senado, justamente para medir o ambiente político na Casa.
A indicação de Jorge Messias para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no STF foi anunciada por Lula em 20 de novembro. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) chegou a ser marcada para 10 de dezembro, mas acabou cancelada depois que o governo decidiu segurar o envio formal da indicação, diante da resistência de parte expressiva dos senadores.
No início de dezembro, Alcolumbre chegou a criticar publicamente o Planalto ao desmarcar a sabatina. Em nota enviada aos parlamentares, afirmou que a demora do Executivo era “grave e sem precedentes” e representava uma interferência indevida no cronograma do Legislativo.
A relação entre o Senado e o governo voltou a enfrentar ruídos no começo de janeiro, quando a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foi atribuída a Alcolumbre. O senador negou qualquer negociação com o Planalto sobre o cargo. Nos bastidores, surgiram ainda rumores de apoio do empresário Joesley Batista, controlador do grupo J&F, o que foi negado pela empresa.
Pelas regras, tanto a indicação ao STF quanto a escolha para a CVM precisam passar por sabatinagens no Senado e, posteriormente, por votação em plenário — etapas que tornam o diálogo político indispensável antes de qualquer movimento formal do governo.