
Antes mesmo do fim do julgamento, Moraes já prepara terreno para prender Bolsonaro
Chefe de gabinete do ministro do STF visitou a Papuda para avaliar se o presídio tem condições de receber o ex-presidente, enquanto o julgamento de seus recursos ainda nem terminou.
A movimentação no entorno do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou claro que o desfecho do processo contra Jair Bolsonaro já parece traçado — mesmo antes do último voto ser proferido. Na semana passada, a chefe de gabinete de Moraes visitou o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, acompanhada da juíza Leila Cury, da Vara de Execuções Penais.
O motivo oficial da visita: verificar se o presídio tem condições de receber o ex-presidente da República, que ainda aguarda o julgamento dos embargos de declaração — a última etapa antes de eventual cumprimento de pena.
Fontes do Governo do Distrito Federal (GDF) confirmaram que a inspeção incluiu o bloco 5 do Centro de Internamento e Reeducação (CIR), onde ficam ex-policiais e autoridades, além do 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do complexo.
Papuda em alerta e pressão nos bastidores
Após a visita, o GDF enviou um ofício ao gabinete de Moraes sugerindo que Bolsonaro seja submetido a uma avaliação médica completa, para determinar se teria condições de cumprir pena no presídio.
Nos bastidores, integrantes do governo local se mobilizam para impedir que ele seja levado à Papuda, citando riscos à segurança e até possibilidade de rebelião entre os detentos com a presença do ex-presidente.
Além disso, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) destacou que Bolsonaro, mesmo em prisão domiciliar, precisa de acompanhamento médico constante. Lembraram, por exemplo, que o ex-presidente foi hospitalizado em 16 de setembro e que o presídio dificilmente oferece condições adequadas para seu quadro clínico.
A Seape também pediu que uma equipe especializada avalie a compatibilidade do estado de saúde de Bolsonaro com os serviços médicos e alimentares disponíveis nas unidades prisionais do DF.
Um julgamento que parece já ter sentença
Embora o STF ainda não tenha concluído o julgamento dos embargos, os movimentos prévios do gabinete de Moraes indicam que a condenação é tratada como certa. O clima nos corredores da Corte é de que a prisão de Bolsonaro seria apenas uma questão de data e logística.
O episódio levanta questionamentos sobre a imparcialidade e a antecipação de decisões, reforçando a percepção de que a Justiça brasileira tem sido usada como instrumento político.
Enquanto o país aguarda o resultado oficial, os preparativos para o encarceramento de um ex-presidente — algo inédito na história do Brasil democrático — seguem a todo vapor, deixando no ar a sensação de que o julgamento ainda nem acabou, mas a sentença já está escrita.