Apagão anunciado, reação tardia: ministro só age quando a crise explode

Apagão anunciado, reação tardia: ministro só age quando a crise explode

Depois de alertas ignorados e milhões sem luz, Alexandre Silveira recua e promete romper contrato com a Enel

:Foi preciso São Paulo mergulhar no escuro, com milhões de pessoas prejudicadas e dias de transtornos, para que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, finalmente resolvesse agir. Após uma sequência de alertas, reclamações públicas e promessas não cumpridas, o ministro anunciou que vai pedir à Aneel a abertura do processo de caducidade do contrato da Enel — uma decisão que chega tarde demais para quem ficou sem energia, água, internet e dignidade básica.

A medida só veio depois da pressão direta do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes, que há meses denunciam a precariedade do serviço prestado pela concessionária. Até então, Silveira minimizava o problema, flertava com a renovação do contrato e chegou a ironizar as críticas, como se o sofrimento da população fosse exagero ou “choradeira” política.

O resultado dessa postura leniente está nos números: apagões em série, mais de dois milhões de imóveis afetados e milhares de famílias ainda no escuro dias depois das tempestades. Soma-se a isso o descumprimento de compromissos básicos, como a poda de árvores prometida pela Enel e nunca executada de forma adequada.

Ao anunciar agora a união entre governos federal, estadual e municipal, o ministro tenta vestir o figurino de gestor responsável. Mas a verdade é que a reação só aconteceu quando o caos se tornou impossível de esconder. Antes disso, faltou firmeza, sobrou discurso e a população pagou a conta.

O episódio escancara uma condução falha e tardia de um problema previsível. Quando um ministro ignora alertas, relativiza falhas graves e só age empurrado pela pressão política e pelo colapso do serviço, o nome disso não é liderança — é omissão.

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