Apagão vira faísca: Nunes e ministro de Lula trocam acusações enquanto São Paulo fica no escuro

Apagão vira faísca: Nunes e ministro de Lula trocam acusações enquanto São Paulo fica no escuro

Prefeito diz que ministro “zomba da população” ao defender renovação do contrato da Enel; Silveira rebate e acusa Nunes e Tarcísio de politizar o caos

O apagão que deixou São Paulo às escuras reacendeu um conflito que já vinha fervendo nos bastidores: Ricardo Nunes, prefeito da capital, voltou a mirar sua artilharia no ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. E o gatilho dessa crise — mais uma — atende pelo nome de Enel.

Depois que ventos de quase 100 km/h derrubaram árvores, danificaram redes e deixaram mais de 2 milhões de imóveis sem energia, Nunes reapareceu nas redes lembrando a fala de Silveira, de um mês atrás, quando o ministro disse que o contrato da Enel poderia ser renovado mesmo com o “choro” do prefeito e do governador Tarcísio.

Nunes não deixou barato:

“Ministro, quem está chorando é a população. Enquanto você zomba, o povo sofre.”

O prefeito acusou a Enel de anos de serviço precário e criticou a pressa do governo federal para renovar um contrato que só vence em 2028. Para ele, o mínimo seria defender quem paga a conta — e não a empresa.

Silveira, por sua vez, continua afirmando que não há “politização” no debate. Segundo ele, se a empresa estiver certa, renova; se estiver errada, não renova. Simples assim — pelo menos no discurso.

Mas a realidade no chão da cidade foi bem menos simples: bairros inteiros no escuro, mais de mil chamados para quedas de árvores e um sentimento generalizado de abandono.

E se a briga já estava quente, ficou ainda mais. Gleisi Hoffmann entrou em cena e acusou Tarcísio de tentar “empurrar a crise da Enel no colo do governo federal”. Para a ministra, é no mínimo contraditório que os mesmos que defenderam privatizações agora clamem por intervenção da União.

Tarcísio responde que São Paulo “não pode ficar refém da Enel”, e lembra que o contrato é responsabilidade da União. Já Gleisi rebate dizendo que Bolsonaro — aliado de Tarcísio — privatizou a Eletrobras, deixando o governo sem a única empresa pública capaz de assumir um serviço desse tamanho.

No fim, enquanto políticos discutem quem é o culpado, quem está certo, quem está “chorando” e quem está zombando, milhões de paulistanos seguem com velas, lanternas e a sensação de que falta luz — mas sobra disputa.

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