
Lula sobe o tom contra redes sociais — mas o discurso parece mais bronca de pai do que plano concreto
Presidente cobra responsabilidade das plataformas por conteúdo violento contra mulheres, enquanto o país encara novos casos brutais e a internet segue “lavando as mãos”.
Durante a 13ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, Lula decidiu dar um puxão de orelha nas plataformas digitais. Segundo ele, é “inaceitável” que as redes continuem fingindo que não têm nada a ver com o tsunami diário de ódio e violência contra mulheres que circula solto por aí.
É quase como assistir um síndico reclamando que o condomínio está pegando fogo e ninguém quer assumir a responsabilidade pelo fósforo — só que, nesse caso, o incêndio é feito de misoginia, ofensas e incentivo explícito à violência.
Lula insistiu que liberdade de expressão não significa liberdade para estimular crimes hediondos. E cá entre nós, não deixa de ser irônico ouvir isso num país onde vídeos que defendem agressões, estupros e ataques a mulheres seguem viralizando como se fossem memes inocentes.
Nos últimos dias, o governo tenta se mexer — e não por acaso. Casos bárbaros chocaram o país, como o da jovem atropelada e arrastada por mais de um quilômetro, que perdeu as pernas por causa da brutalidade de um agressor que se achava dono da vida dela.
Diante desse cenário, Lula prometeu reunir os chefes dos Poderes e outras autoridades para discutir medidas de prevenção e, principalmente, de conscientização masculina. Afinal, como ele disse, há homens que “se acham donos do mundo” — mas que, no fundo, só representam o que há de mais podre na sociedade.
Segundo dados do Ministério da Justiça, só entre janeiro e outubro deste ano, 1.177 mulheres foram assassinadas por serem mulheres. Um número que grita, enquanto muitos ainda tentam tapar ouvidos.
O presidente reforçou que agressor tem que ser punido com rigor — e que plataformas digitais precisam parar de agir como se fossem redes de pescaria: só puxam o que interessa e deixam todo o lixo boiando.
Numa era em que tudo vira trending topic, talvez o que falte mesmo não seja algoritmo, mas vergonha na cara.
E responsabilidade — essa palavrinha que a internet insiste em ignorar.