Após queda de “El Mencho”, México enfrenta dia de terror e expõe a profundidade da crise da segurança

Após queda de “El Mencho”, México enfrenta dia de terror e expõe a profundidade da crise da segurança

Morte do chefe do cartel mais poderoso do país provoca reação em cadeia do crime organizado, deixa mais de 60 mortos e paralisa cidades inteiras

O México acordou mergulhado no medo depois da captura e da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o temido “El Mencho”, apontado como o traficante mais procurado do país. A operação das forças de segurança, que eliminou o líder do cartel Jalisco Nova Geração, desencadeou uma resposta imediata e brutal do crime organizado, espalhando violência, incêndios e bloqueios por diversas regiões.

O resultado foi um retrato cru da crise mexicana: mais de 60 mortos, dezenas de presos, escolas fechadas, voos cancelados e famílias presas dentro de casa. Em ao menos 20 estados, criminosos ergueram barricadas, queimaram ônibus, carros, postos de combustível e lojas, transformando ruas em campos de batalha.

Em Guadalajara, uma das cidades mais importantes do país e sede de jogos da Copa do Mundo de 2026, o pânico tomou conta do Aeroporto Internacional. Um alerta sobre homens armados dentro do terminal provocou correria entre passageiros — depois confirmado como falso. Do lado de fora, porém, o caos era real: vias bloqueadas e fumaça cobrindo bairros inteiros.

A morte de “El Mencho” ocorreu após uma operação militar na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco. Ferido em confronto com o Exército, o traficante foi capturado e colocado em um helicóptero rumo à capital, mas não resistiu. A partir daí, aliados do cartel partiram para o ataque, numa demonstração explícita de força e retaliação.

O episódio escancarou o poder do Cartel Jalisco Nova Geração, considerado um dos grupos criminosos mais violentos e bem armados da América Latina. Além do tráfico de drogas como cocaína, metanfetamina e fentanil, a organização lucra com extorsões, roubo de combustível e tráfico de pessoas, mantendo influência profunda em economias locais e até em atividades legais.

Especialistas avaliam que a reação violenta foi uma mensagem clara: mesmo sem seu líder máximo, o cartel ainda tem capacidade de paralisar regiões inteiras. Ao mesmo tempo, a ausência de um sucessor definido pode abrir caminho para disputas internas, o que aumenta o risco de novos confrontos e elevação dos índices de homicídio.

Diante do caos, a presidente Claudia Sheinbaum tentou tranquilizar a população, afirmando que a situação está sob controle e que a operação foi conduzida pelas forças mexicanas, com apoio apenas de inteligência estrangeira. Ainda assim, nas ruas, o sentimento é outro: medo, incerteza e a percepção de que o Estado trava uma guerra longa e desigual contra o narcotráfico.

Do lado de fora, a pressão internacional continua. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a cobrar ações mais duras contra os cartéis, ligando o combate ao tráfico às relações comerciais entre os dois países.

A morte de “El Mencho” pode representar um golpe histórico contra o crime organizado, mas também expôs uma ferida aberta: o México vive uma crise profunda de segurança pública, onde a queda de um chefão não encerra o problema — apenas revela o tamanho do desafio que o país ainda precisa enfrentar.

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