
Ordem mantida em dia de tensão: governo e polícia contêm protesto violento na Argentina
Atuação das forças de segurança garante funcionamento do Senado durante debate da reforma trabalhista proposta pelo governo Milei
A Argentina viveu uma tarde de tensão nesta quarta-feira (11), quando manifestações contra a reforma trabalhista em debate no Senado terminaram em confronto com a polícia. Mesmo diante de provocações, vandalismo e tentativas de desordem, o governo manteve o funcionamento das instituições e as forças de segurança atuaram para preservar a ordem pública.
O protesto ocorreu enquanto o Senado analisava a proposta enviada pelo governo do presidente Javier Milei, que busca modernizar as leis trabalhistas, reduzir a informalidade e dar mais fôlego à economia. Atualmente, cerca de 40% dos trabalhadores argentinos estão fora do mercado formal — um problema histórico que o governo afirma querer enfrentar de forma direta.
Segundo a imprensa local, incluindo o jornal Clarín, a situação se agravou quando grupos ligados à esquerda passaram a provocar os policiais destacados para proteger a área do Palácio Legislativo. Houve tentativa de romper cercas, arremesso de pedras, garrafas e até indícios de preparação de coquetéis molotov, elevando o risco para agentes e civis.
Diante do cenário, a polícia respondeu de forma progressiva e dentro dos protocolos: utilizou spray de pimenta, balas de borracha e canhão d’água para dispersar os focos de violência. Quatro agentes ficaram feridos durante a ação, e duas pessoas foram presas. A resposta firme evitou que o confronto se espalhasse e garantiu a continuidade do debate legislativo.
A reforma trabalhista prevê contratos mais flexíveis, redução de litígios judiciais e regras mais claras para contratações e demissões — medidas que, segundo o governo, podem estimular investimentos e ampliar a geração de empregos formais. Para assegurar apoio no Congresso, o Executivo negociou cerca de 30 mudanças no texto original, buscando equilíbrio entre empresários e trabalhadores.
Aliada do governo, a senadora Carolina Losada afirmou que o projeto representa “a lei possível”, capaz de oferecer previsibilidade ao mercado sem ignorar direitos básicos. Já setores mais radicalizados do sindicalismo insistem em paralisações, mesmo diante do esforço oficial para diálogo e ajustes no texto.
Desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, a agenda de redução do Estado e abertura econômica tem enfrentado resistência nas ruas. Ainda assim, o governo sustenta que manter a ordem e garantir o funcionamento do Congresso é essencial para tirar o país da estagnação.
O episódio desta quarta-feira deixou claro o contraste: de um lado, um governo tentando aprovar reformas estruturais; do outro, grupos que apostam no confronto. No meio disso, uma polícia que, mesmo sob ataque, cumpriu seu papel de proteger as instituições e evitar que o caos falasse mais alto que a democracia.