
Auditoria revela ligação oculta entre Vorcaro e BRB e investigação da PF ganha novo fôlego
Relatório aponta que empresários ligados ao Banco Master compraram ações do banco público de Brasília por meio de estruturas difíceis de rastrear
Uma auditoria independente acendeu um novo alerta no sistema financeiro ao revelar que figuras centrais do escândalo envolvendo o Banco Master também eram acionistas do Banco de Brasília (BRB), instituição que tem o Governo do Distrito Federal como sócio majoritário. A descoberta levou a Polícia Federal a aprofundar as investigações sobre a gestão e as operações do banco público.
De acordo com o relatório, apresentado ao Banco Central, ao Supremo Tribunal Federal e à própria PF, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-sócio da instituição Maurício Quadrado e o fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, adquiriram ações do BRB durante a gestão anterior do banco.
Aquisição fragmentada levanta suspeitas
Segundo os investigadores, as compras não foram feitas de forma direta. Pelo contrário: as ações teriam sido adquiridas de maneira “pulverizada”, por meio de múltiplos fundos e estruturas intermediárias. Esse modelo, embora não seja ilegal por si só, dificulta a identificação clara dos beneficiários finais e levantou questionamentos sobre a real intenção por trás das operações.
A PF apura por que os empresários não informaram espontaneamente ao banco sua condição de acionistas — algo que só veio à tona com o avanço das investigações — e se o método usado teve relação com outras operações suspeitas envolvendo o BRB e o Banco Master entre 2024 e 2025.
Conexão direta com o caso Banco Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em outubro, após não conseguir honrar compromissos com clientes e credores. Antes disso, a PF identificou indícios de que a instituição vendeu ativos sem lastro — os chamados “papéis podres” — ao BRB, em operações que podem ter chegado a R$ 12 bilhões.
Daniel Vorcaro chegou a ser preso no curso das investigações, e a gestão do BRB à época, comandada por Paulo Henrique Costa, também entrou no radar das autoridades. Costa foi afastado judicialmente da presidência do banco no mesmo dia em que o Master sofreu a liquidação extrajudicial.
Relatório enviado às autoridades
A auditoria foi solicitada pela nova diretoria do BRB, que assumiu após a troca de comando. O documento começou a ser elaborado em dezembro e foi encaminhado oficialmente ao STF, ao Banco Central e à Polícia Federal no início de fevereiro.
Segundo o relatório, os empresários se enquadravam como acionistas sem direito a voto — categoria que permite a posse de até 5% das ações, mas não confere poder de decisão. Ainda assim, os investigadores destacam que há coincidência entre pessoas, fundos e estruturas usadas nessas aquisições e aquelas envolvidas nas operações suspeitas do caso Master.
O que dizem os envolvidos
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que a participação acionária no BRB ocorreu por meio da holding do Banco Master, de forma regular e com aprovação do Banco Central, como parte de uma estratégia legítima de capitalização. Os advogados também disseram que Vorcaro segue colaborando com as autoridades.
Até o momento, as defesas de Maurício Quadrado e João Carlos Mansur não se manifestaram.
Já o BRB declarou que a auditoria identificou “achados relevantes” e que o banco vem adotando medidas institucionais e administrativas para proteger seus interesses, recuperar ativos e buscar ressarcimento de eventuais prejuízos.