Avanço da anistia no Congresso é um absurdo, diz líder do PT

Avanço da anistia no Congresso é um absurdo, diz líder do PT

Lindbergh Farias critica tentativa de anistiar os envolvidos no 8 de janeiro e alerta para ataque à democracia

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), chamou de “inacreditável” e “irresponsável” a movimentação no Congresso para aprovar uma anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente réu no julgamento iniciado na terça-feira (2).

Para Lindbergh, colocar a pauta justamente enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa os acontecimentos é uma “provocação infantil” e chega a ser um “bullying contra o Supremo”. Ele enfatizou que a proposta é “claramente inconstitucional” e afirmou que, se aprovada, o presidente Lula certamente irá vetá-la.

“É como se o Parlamento estivesse cedendo à chantagem de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), tentando tumultuar o processo. Espero que as lideranças da Câmara tenham juízo e não pautem esse projeto”, declarou o deputado.

Votos e confusão

Rebatendo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que afirmou ter votos suficientes para aprovar a medida, Lindbergh questionou a contagem: “Não é certo que eles tenham 257 votos para aprovar o requerimento de urgência”.

Ele alertou que o governo precisa se mobilizar diante dessa tentativa, que representa “um ataque frontal ao Supremo”. Segundo Lindbergh, a anistia não promove pacificação; pelo contrário, serve apenas para criar confusão e minar a legitimidade do julgamento do STF.

O deputado lembrou que a Suprema Corte já barrou anistias em casos que atingem o Estado Democrático de Direito. “No caso do deputado Daniel Silveira, o ministro Fux e outros nove ministros decidiram que crimes contra o Estado Democrático de Direito não podem ser anistiados. Defender a democracia é uma cláusula pétrea da Constituição”, afirmou.

Críticas a Tarcísio

Lindbergh também criticou duramente a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na articulação do projeto. “É estranho um governador parar o trabalho no estado e vir para Brasília articular algo claramente inconstitucional. Parece um acordo com a ala mais radical do bolsonarismo: ‘eu defendo a anistia e viro candidato'”, disse.

Para o líder do PT, a iniciativa de Tarcísio é “rasteira e ofensiva ao Supremo” e deveria ter esperado o término do julgamento para qualquer movimentação. “É uma questão de modos. Se ele queria articular isso, deveria ter esperado o fim do julgamento”, completou.

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