
Brasil despenca no ranking das economias que mais crescem
De 5º para 32º lugar, país sofre com juros altos e perda de fôlego no PIB, enquanto Ásia dispara no crescimento
O Brasil perdeu terreno no cenário global. Depois de aparecer em 5º lugar entre as economias que mais cresceram no primeiro trimestre, o país despencou para a 32ª posição no segundo trimestre de 2025, segundo levantamento da Austin Rating.
O motivo? A economia brasileira perdeu força: o Produto Interno Bruto (PIB) subiu apenas 0,4% entre abril e junho — um contraste com o crescimento de 1,4% registrado entre janeiro e março. Enquanto isso, países asiáticos seguem disparados na frente, com Indonésia (+4%), Taiwan (+3,1%) e Malásia (+2,1%) liderando o ranking.
“Voo de galinha” da economia brasileira
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o resultado mostra mais uma vez o que ele chama de “voo de galinha” da economia nacional: cresce num trimestre, mas logo perde fôlego.
Segundo ele, os juros elevados — com a Selic em 15% ao ano — freiam investimentos e aumentam a insegurança dos empresários diante da incerteza fiscal. “Fica muito claro que a atividade está desacelerando. O crescimento que tivemos no início do ano foi puxado pelo agronegócio, mas agora a economia sente os efeitos da política monetária mais dura”, explica.
Comparação internacional
Enquanto o Brasil recuava, gigantes como China (+1,1%) e Estados Unidos (+0,8%) ficaram entre a 12ª e a 15ª posição. Até nossos vizinhos tiveram desempenho superior: México (+0,6%) e Colômbia (+0,5%) cresceram mais, ainda que de forma modesta. O Chile, assim como o Brasil, avançou 0,4%.
Já os países asiáticos seguem consolidando espaço, com crescimento mais estruturado e de longo prazo. Para Agostini, isso pode se tornar um problema para o Brasil: “Esses países oferecem maior retorno ao capital, atraem investimentos e pensam sempre no futuro. O Brasil, por outro lado, ainda tem dificuldade em sustentar o crescimento”.
O tamanho da economia brasileira
Apesar da queda no ranking de crescimento, o Brasil segue como a 10ª maior economia do mundo em valores absolutos, com um PIB de US$ 2,1 trilhões. Os Estados Unidos lideram a lista com US$ 30,5 trilhões, seguidos pela China (US$ 19,2 tri) e Alemanha (US$ 4,7 tri).
Para este ano, a projeção da Austin Rating é de que o Brasil cresça 1,8%. Mas, segundo Agostini, esse número depende mais de fatores pontuais do que de uma base sólida: “O desafio é transformar crescimento temporário em desenvolvimento estrutural. Do contrário, vamos continuar nesse ciclo de altos e baixos”.