Bancada do Agro reclama de exclusão em evento de Lula e reforça distância política

Bancada do Agro reclama de exclusão em evento de Lula e reforça distância política

Enquanto presidente lança Plano Safra da Agricultura Familiar, grupo ligado ao agronegócio afirma que não foi convidado e governo confirma convite

Nesta segunda-feira (30), no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Plano Safra da Agricultura Familiar para o ciclo 2025/2026. No entanto, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) se manifestou dizendo que não recebeu convite para participar da cerimônia — nem mesmo o presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (PP-PR), foi chamado.

Esse afastamento simbólico entre o governo e o setor do agro, que tem uma forte ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deve se repetir na próxima terça-feira (1º), quando Lula apresentará o Plano Safra direcionado a médios e grandes produtores, mais voltado ao agronegócio tradicional.

Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) garantiu que os parlamentares ligados ao agronegócio foram convidados para o evento desta segunda-feira, negando a versão da bancada.

No evento, estiveram presentes ministros importantes, como Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Carlos Fávaro (Agricultura), Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Marina Silva (Meio Ambiente), além do vice-presidente Geraldo Alckmin.

O Plano Safra prevê R$ 89 bilhões em crédito, compras públicas, seguro e assistência técnica para apoiar a agricultura familiar. Desse total, R$ 78,2 bilhões serão destinados ao Pronaf, um aumento em relação aos R$ 76 bilhões do ano anterior. Também houve um crescimento no limite para compra de máquinas menores, que passou de R$ 50 mil para R$ 100 mil, com juros de 2,5% ao ano. Para máquinas maiores, de até R$ 250 mil, a taxa será de 5%.

O governo manteve a taxa de financiamento em 3% para produtos da cesta básica, reforçando o compromisso com a soberania alimentar, segundo o ministro Paulo Teixeira.

O lançamento ocorreu num momento de tensão com o Congresso, devido à derrubada de decretos sobre o IOF e resistência à proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. O ministro Haddad aproveitou para criticar a falta de reajuste da tabela do IR no governo Bolsonaro:

— “O maior aumento cruel de imposto é não atualizar a tabela. Isso faz com que o trabalhador pague mais só porque teve um aumento no salário. Bolsonaro passou mais de quatro anos sem mexer nisso. Com a proposta do governo, 10 milhões de brasileiros já deixaram de pagar imposto, e, se aprovado, mais 10 milhões serão beneficiados.”

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