
Barroso deixou os EUA dias antes de sanções atingirem ministros do STF
Revogação de vistos por parte do governo americano pegou mal entre autoridades brasileiras; presidente do STF estava no país até quatro dias antes do anúncio
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, deixou os Estados Unidos poucos dias antes do governo norte-americano anunciar a revogação de vistos de oito ministros da Corte. Barroso desembarcou no país no dia 4 de julho e retornou ao Brasil no dia 14 — quatro dias antes do anúncio oficial feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
A informação consta nos registros públicos de entrada e saída de estrangeiros, usados pelo governo americano para monitorar a movimentação de visitantes. Coincidência ou não, a saída de Barroso aconteceu a tempo de evitar qualquer constrangimento diplomático imediato.
Sanções em meio à crise
Na sexta-feira (18), o governo dos Estados Unidos tornou pública a decisão de suspender os vistos de entrada no país para oito ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes. A medida também se estendeu a familiares próximos e “aliados” dos magistrados.
A justificativa usada pelo secretário Marco Rubio é de que Moraes estaria liderando uma suposta “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, criando, segundo ele, um clima de censura e perseguição política que ultrapassaria as fronteiras do Brasil.
Ficaram de fora das sanções apenas os ministros André Mendonça, Kássio Nunes Marques e Luiz Fux, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Clima de tensão diplomática
A atitude dos EUA causou desconforto no meio político e jurídico brasileiro, e já tem provocado reações — inclusive do presidente Lula, que classificou a medida como “inaceitável” e uma afronta à soberania do Brasil. Apesar de Moraes ser o principal alvo, o impacto recaiu sobre quase toda a cúpula do Judiciário, agravando a tensão institucional com os Estados Unidos.
Barroso, que costuma participar de eventos e conferências no exterior, especialmente nos EUA, evitou até agora se pronunciar sobre a decisão, assim como outros ministros diretamente atingidos.