
Blindagem Total: CPMI do INSS barra convocação de Messias e Lulinha
Com maioria governista, comissão impede investigações e transforma fiscalização em escudo político
A CPMI do INSS decidiu, mais uma vez, fechar os olhos para as próprias responsabilidades. Nesta quinta-feira (4), por 19 votos a 11, a comissão rejeitou o pedido para convocar o advogado-geral da União, Jorge Messias — exatamente o nome indicado por Lula para o STF.
Foi um recado claro: quem é aliado do governo não precisa explicar nada.
Parlamentares queriam que Messias esclarecesse a atuação da AGU diante do estouro de fraudes em descontos indevidos nos benefícios do INSS, mas a maioria governista se mobilizou para impedir sua ida. Uma blindagem tão evidente que beira o absurdo.
Oposição denuncia omissão
O líder da oposição, senador Rogério Marinho, foi direto: disse que Messias “passou ao largo” das denúncias e insinuou que o AGU se omitiu deliberadamente.
“Quero que Messias venha dizer por que não agiu. Isso, para mim, é prevaricação.”
Mas a base do governo ignorou o alerta e tratou a convocação como um ataque político — coincidência ou não, tudo isso ocorre dias depois de Messias ser indicado ao STF por Lula.
Governo barra até perguntas sobre Lulinha
Na mesma sessão, outro escudo foi ativado: a CPMI também rejeitou a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por 19 votos a 12. A oposição queria que ele explicasse reportagens que apontam que ele teria recebido dinheiro de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.
Governistas correram para defender o filho do presidente, alegando que não há provas — apesar das denúncias, das suspeitas e até de relatos de que Lulinha viajou no mesmo voo para Portugal sentado ao lado do acusado.
Até o pedido para obter a lista de passageiros da Latam foi rejeitado. Nada pode ser investigado quando envolve o entorno de Lula.
Quando é aliado, nada acontece. Quando é adversário, aperta-se o cerco.
A CPMI deu um show de seletividade.
Enquanto barra aliados do governo, aprovou sem dificuldade a convocação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema — um dos principais nomes da oposição.
O requerimento, articulado pela base governista, quer que Zema explique a relação com a Zema Financeira, empresa da família que opera crédito consignado para aposentados.
Embora o próprio governador já tenha afirmado, por carta, que se desligou da empresa em 2018, a CPMI achou importante investigar.
Ou seja: para uns, rigor absoluto; para outros, nenhum incômodo.
Um espetáculo de blindagem
O que se viu na CPMI do INSS não foi uma sessão de investigação. Foi um muro de proteção erguido ao redor de nomes ligados ao PT e ao governo Lula.
Messias não pode ser questionado.
Lulinha não pode ser questionado.
Até a lista de passageiros de um voo não pode ser acessada.
Enquanto isso, oposicionistas são puxados para o centro do palco — mesmo quando já apresentaram explicações formais.
A CPMI deixa claro:
não está interessada na verdade, mas sim em proteger quem está do “lado certo” do poder.