Bolívia decide futuro político com direita favorita e 23% do eleitorado indefinido

Bolívia decide futuro político com direita favorita e 23% do eleitorado indefinido

Após quase duas décadas de hegemonia da esquerda, país encara eleições cercadas de incertezas e disputas internas no MAS

A Bolívia vai às urnas neste domingo (17) para escolher o novo presidente e renovar o Parlamento. Com a direita liderando as pesquisas e quase um quarto dos votos ainda indefinidos — entre nulos, brancos e indecisos —, o resultado carrega alto grau de imprevisibilidade.

O ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, nome associado a uma direita mais radical, aparece na dianteira, seguido pelo empresário Samuel Doria Medina, que se apresenta como um candidato de perfil mais moderado. Ambos despontam como favoritos a disputar o segundo turno, marcado para 19 de outubro.

Fim da era MAS?

O Movimento ao Socialismo (MAS), partido que governa a Bolívia desde 2006, chega fragilizado e dividido. Evo Morales, impedido de concorrer, tem incentivado o voto nulo. Já os candidatos ligados ao MAS, Andrónico Rodríguez e Eduardo del Castillo, sofrem com o desgaste político e a crise econômica.

Rodríguez, atual presidente do Senado e ex-sindicalista, tenta se viabilizar como nome da esquerda fora do MAS, mas enfrenta resistência de setores do partido e de Morales, que o chama de “traidor”. Del Castillo, ligado ao presidente Luis Arce, amarga índices baixos nas pesquisas.

Incertezas eleitorais

Pesquisadores alertam que o peso dos votos indecisos e do eleitorado rural — tradicionalmente mais difícil de medir — pode alterar o cenário. Nas últimas eleições, por exemplo, a força de Luis Arce foi subestimada. Agora, com 23% dos votos ainda indefinidos, qualquer virada é possível.

O discurso da direita

Quiroga promete reformas profundas, corte de gastos públicos e até uma reaproximação com Chile e Argentina para explorar as reservas de lítio, em um tom semelhante ao do argentino Javier Milei. Medina, por sua vez, aposta em sua imagem de gestor e garante que pode estabilizar a economia boliviana em 100 dias.

Com a esquerda rachada e a direita avançando, o país caminha para um pleito que pode encerrar 19 anos de domínio do MAS e redesenhar completamente o mapa político da Bolívia.

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