
Bolsonaro sofre traumatismo na cabeça após queda na PF e demora para atendimento gera indignação
Mesmo com diagnóstico médico de lesão leve, autorização judicial para exames externos expõe rigor excessivo e desumanidade
O ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu um traumatismo craniano leve após cair dentro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, durante a madrugada desta terça-feira (6). A informação foi confirmada pelo médico Cláudio Birolini, que acompanha a saúde do ex-presidente e afirmou que exames clínicos e de imagem serão realizados em hospital.
Segundo o médico, a queda ocorreu dentro da unidade onde Bolsonaro está preso e representa um risco previsível, diante do histórico clínico do ex-presidente. “Quedas com traumatismo são uma das nossas maiores preocupações. Esse risco já havia sido alertado”, afirmou Birolini.
Apesar do diagnóstico, a Polícia Federal minimizou o episódio, informando que um médico da corporação avaliou Bolsonaro e não viu necessidade imediata de encaminhamento hospitalar, recomendando apenas observação. A transferência para exames externos, no entanto, depende de autorização do Supremo Tribunal Federal, o que gerou revolta entre familiares e aliados.
Relato da família contradiz versão oficial
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatou que o ex-presidente teve uma crise de soluços enquanto dormia, perdeu o equilíbrio, caiu e bateu a cabeça em um móvel. Diante da situação, a equipe médica decidiu que exames fora da unidade prisional seriam necessários.
Michelle também questionou a demora no atendimento inicial e afirmou que, por Bolsonaro estar detido em uma sala especial, o socorro só ocorreu após ele ser chamado para a visita. Ela esteve na PF pela manhã para buscar esclarecimentos sobre os procedimentos adotados.
O filho do ex-presidente, Carlos Bolsonaro, afirmou que encontrou o pai atordoado, com hematoma no rosto e sangramento nos pés, e criticou duramente o que classificou como lentidão e frieza das autoridades diante de um quadro de saúde delicado.
Moraes volta a ser alvo de críticas
O episódio reacende críticas ao ministro Alexandre de Moraes, que concentra decisões sobre a custódia de Bolsonaro. Para apoiadores do ex-presidente, o rigor imposto ultrapassa limites razoáveis e transforma questões médicas em entraves burocráticos, colocando em risco a integridade física de alguém sob responsabilidade direta do Estado.
A situação é ainda mais sensível porque Bolsonaro havia recebido alta recentemente do hospital DF Star, após passar por cirurgia de hérnia e por um procedimento para conter crises persistentes de soluços, associadas às sequelas da facada sofrida em 2018.
Desde que retornou à custódia, aliados relatavam melhora no quadro clínico, mas também dificuldades para dormir, atribuídas ao barulho constante do ar-condicionado da unidade — reclamação que já havia sido levada ao STF. Moraes determinou que a PF se manifeste sobre as condições, mas o episódio da queda reforça a percepção de descaso com a saúde do preso.
Bolsonaro está detido desde o fim de novembro e cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, imposta pelo STF. Para críticos, porém, nenhuma condenação justifica a negação de cuidados médicos adequados, nem o tratamento considerado desumano por parte da mais alta Corte do país.