
Boulos provoca e diz querer ver Lula frente a frente com Flávio Bolsonaro em debate sobre segurança
Ministro levanta acusações envolvendo milícia no Rio e afirma que governo Lula tem dado autonomia à Polícia Federal
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que está ansioso para assistir a um eventual debate sobre segurança pública entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, apontado como possível candidato ao Planalto nas eleições de outubro.
A declaração foi feita durante entrevista ao programa Alô, Alô Brasil, da Rádio Nacional. Segundo Boulos, a oposição costuma cobrar discussões sobre segurança pública, mas, na avaliação dele, esse é justamente um terreno delicado para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eles vivem dizendo que querem debater segurança. Eu estou doido para ver o Lula debatendo esse tema com o Flávio Bolsonaro”, disse o ministro.
Durante a conversa, Boulos voltou a citar acusações que já cercam o senador, mencionando supostos vínculos com milicianos no Rio de Janeiro. Ele lembrou o relacionamento político de Flávio com Adriano da Nóbrega, apontado como líder do grupo conhecido como Escritório do Crime, e com Fabrício Queiroz, investigado por um esquema de “rachadinha” quando Flávio era deputado estadual.
Segundo o ministro, essas relações precisam ser colocadas “na mesa” em um debate público. Ele também citou homenagens feitas a Adriano da Nóbrega na Assembleia Legislativa do Rio e a contratação de familiares do ex-policial no gabinete de Flávio, fatos que já foram amplamente noticiados nos últimos anos.
Boulos aproveitou a entrevista para defender a postura do atual governo na área de investigações. De acordo com ele, a gestão Lula tem garantido autonomia à Polícia Federal, inclusive em apurações sensíveis como fraudes no INSS e o caso envolvendo o Banco Master.
“O Lula manda investigar e não interfere. Isso é o oposto do que vimos no governo passado”, afirmou, em crítica direta à atuação do ex-presidente Bolsonaro.
A fala do ministro ocorre em um momento de aquecimento do debate eleitoral e reforça o clima de confronto que deve marcar a campanha de 2026, especialmente em temas como segurança pública, combate ao crime organizado e atuação das instituições.