
Brasil e aliados condenam ação militar dos EUA na Venezuela
Seis países alertam para risco à soberania e à paz regional após captura de Maduro
Os governos do Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha emitiram neste domingo (4/1) uma nota conjunta em que expressam profunda preocupação e repúdio à intervenção militar unilateral dos Estados Unidos na Venezuela. Segundo o documento, divulgado pela chancelaria colombiana, a ação viola princípios básicos do direito internacional, garantidos pela Carta das Nações Unidas, e representa uma ameaça à estabilidade regional.
A ofensiva americana ocorreu na madrugada de sábado, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Em comunicado, Trump afirmou que os Estados Unidos assumiriam a condução da Venezuela até que se estabeleça “uma transição adequada”, deixando claro o interesse estratégico do país nas reservas de petróleo venezuelanas.
Para os países signatários da nota, a ação norte-americana desrespeita a soberania e a integridade territorial da Venezuela, contraria a proibição internacional de uso da força e cria um precedente perigoso que coloca em risco a população civil. O texto enfatiza que qualquer solução para a crise venezuelana deve ser pacífica, construída por meio do diálogo e do consenso, respeitando a vontade do povo do país.
A nota reforça que apenas um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, pode gerar uma solução democrática e duradoura, preservando a dignidade humana. Além disso, os governos ressaltam o caráter da América Latina e do Caribe como zona de paz, baseada no respeito mútuo, na resolução pacífica de conflitos e na não intervenção de potências externas.
Os signatários também alertam para os riscos de controle externo de recursos estratégicos, classificando qualquer tentativa de apropriação de riqueza natural venezuelana como incompatível com o direito internacional e uma ameaça à estabilidade política, econômica e social da região.
A nota conclama os países latino-americanos e caribenhos a manterem unidade regional, independentemente de divergências políticas, diante de ações que possam comprometer a paz e a segurança da região.