“Brasil, o líder do futuro sustentável… assim que terminar o prazo de 60 dias”

“Brasil, o líder do futuro sustentável… assim que terminar o prazo de 60 dias”

“Marina Silva celebra o novo mandado de Lula como se fossemos pioneiros — mesmo com décadas de promessas engavetadas e metas sempre renovadas”

A ministra Marina Silva está em clima de otimismo — daqueles de revista institucional — ao comentar o despacho de Lula que deu 60 dias para que os ministérios entreguem as diretrizes do tão falado “mapa do caminho” para abandonar os combustíveis fósseis. Para ela, isso é prova de que o Brasil quer “liderar pelo exemplo”.

A mesma frase que ouvimos quando o governo prometeu zerar o desmatamento até 2030 — promessa que vive sendo empurrada com a barriga, mas que segue aparecendo nos discursos como se já estivesse concluída.

Segundo Marina, agora tudo é mais fácil, porque, ao contrário de 2003, o país não estaria começando “do zero”. Ela cita um arsenal de planos, estratégias, políticas e siglas — Brasil 2050, Plano Clima, NDC, Transição Energética — como se todas essas iniciativas estivessem perfeitamente alinhadas e funcionando sem tropeços. No Brasil real, a história costuma ser bem menos organizada.

A ministra relembra que Lula levantou a bandeira do “mapa de saída dos fósseis” desde a COP 28 e reforçou o coro na COP 30, em Belém, conquistando apoio de 85 países. Bonito no palco, poético no documento, e ótimo para foto oficial. Agora, com a promessa assinada, o governo diz querer mostrar ao mundo como se faz — e rápido.

Marina, falando de casa enquanto se recupera de uma fratura — porque até as ministras enfrentam a dureza da vida offline — explica que o mapa será construído a várias mãos: Meio Ambiente, Fazenda, Minas e Energia e Casa Civil. Isso antes mesmo de envolver a comunidade científica, agências internacionais e toda a burocracia que acompanha grandes promessas ambientais.

Ela ressalta ainda que o plano não deve ser encarado como limite, e sim como oportunidade. Dá como exemplo a China, que surfou cedo a onda da energia limpa e hoje domina painéis solares, eólicas, baterias e carros elétricos. Um lembrete gentil de que, enquanto discutimos prazos, eles fizeram bilhões.

O governo brasileiro, agora ao lado da Noruega, diz que está saindo “na frente”. Só falta combinar com a prática — e com o futuro que nunca chega, mas vive sendo anunciado com entusiasmo renovado.

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