
Brasil rompe com grupo da memória do Holocausto e é criticado pela OEA: “Erro grave”
Comissário Fernando Lottenberg lamenta a saída do Brasil da aliança internacional e diz que decisão ocorre em momento delicado, marcado por tensões com Israel.
A decisão do governo brasileiro de se desligar da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) foi duramente criticada por Fernando Lottenberg, comissário da Organização dos Estados Americanos (OEA) responsável por monitorar o antissemitismo nas Américas. Para ele, o gesto representa “um equívoco”, ainda mais por acontecer em meio à escalada diplomática entre Brasil e Israel.
Desde 2021, o Brasil participava da IHRA como país observador. A entidade é considerada essencial no combate ao antissemitismo moderno, e sua definição do termo serve como referência para mais de 45 países e cerca de 2 mil instituições no mundo. “Mesmo sem força de lei, esse conceito é uma ferramenta vital para identificar e enfrentar o antissemitismo”, ressaltou Lottenberg.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou na quinta-feira (24) que o Brasil formalizou sua saída. O comunicado foi feito dias após o governo brasileiro declarar apoio à ação movida pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça, acusando o país de genocídio na Faixa de Gaza.
Apesar de reconhecer que o Brasil tem o direito de criticar o governo israelense, especialmente em relação à atuação militar em Gaza, Lottenberg frisou que isso não deveria interferir na permanência na IHRA. “É legítimo discordar de políticas de Israel, mas isso não invalida o trabalho essencial da Aliança na preservação da memória histórica e na luta contra o ódio”, disse.
A IHRA, criada em 1998, é a única organização intergovernamental dedicada exclusivamente ao ensino, memória e pesquisa sobre o Holocausto e o genocídio dos ciganos. Fazem parte dela países como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França e Itália.
Lottenberg também destacou o papel simbólico da presença brasileira na aliança. “O Brasil abriga a segunda maior comunidade judaica da América Latina. Integrar essa organização é afirmar um compromisso com a paz e com a valorização da educação histórica”, pontuou.
Até agora, o governo brasileiro não se manifestou oficialmente sobre a decisão.