
Brasil se une à ação contra Israel na Corte de Haia
Governo Lula apoia denúncia de genocídio movida pela África do Sul e aprofunda tensão diplomática com Tel Aviv
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, anunciou que o governo brasileiro decidiu se juntar formalmente à ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), que acusa Israel de praticar genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza. A decisão, que já vinha sendo pressionada por setores do governo e aliados internacionais, foi revelada em entrevista à rede de televisão Al Jazeera, durante a Cúpula do Brics.
“Estamos finalizando os trâmites. Em breve teremos essa boa notícia. Os últimos episódios da guerra nos levaram a tomar essa decisão”, declarou Vieira. Até então, o Brasil havia se limitado a manifestações diplomáticas e apoio político à causa, mas agora avança institucionalmente para se tornar parte do processo jurídico internacional.
A iniciativa sul-africana foi apresentada em 2023, e desde então, Israel tem sido acusado de violar ordens da CIJ, que exigiam ações para impedir crimes de genocídio, como danos físicos e mentais à população palestina, além da obstrução de ajuda humanitária.
A adesão brasileira promete agravar ainda mais a já delicada relação com o governo de Benjamin Netanyahu. Desde que Lula comparou a ofensiva israelense ao Holocausto nazista, Tel Aviv passou a tratar o presidente como “persona non grata”. Em resposta, Lula retirou o embaixador brasileiro de Israel e tem se recusado a aceitar um novo representante israelense em Brasília.
O Planalto também interveio para barrar a aquisição de blindados israelenses para as Forças Armadas, sinalizando um corte progressivo na cooperação bilateral. Apesar disso, ainda resiste a romper totalmente os laços diplomáticos, por conta dos interesses comerciais, históricos e da presença de brasileiros com dupla cidadania em território israelense.
Ao lado do Brasil, outros países já se juntaram ao processo ou manifestaram apoio: Colômbia, México, Espanha, Turquia, Chile, Cuba, Irlanda, Palestina, entre outros. A expectativa é que a pressão internacional sobre Israel continue crescendo, ao passo que o cenário diplomático global segue cada vez mais polarizado.