Buzinaço na porta de Bolsonaro: noite tensa em Brasília após ordem de prisão domiciliar

Buzinaço na porta de Bolsonaro: noite tensa em Brasília após ordem de prisão domiciliar

Apoiadores transformam ruas da capital em palco de protesto; PM bloqueia acesso à Esplanada e concentra manifestação no condomínio do ex-presidente

Logo após a notícia de que Jair Bolsonaro cumprirá prisão domiciliar em Brasília, o clima na capital mudou de tom. Apoiadores do ex-presidente organizaram um buzinaço, percorreram avenidas em carreata e acabaram se concentrando na frente do condomínio onde ele vive, no Jardim Botânico.

A Polícia Militar agiu rápido para conter os ânimos: fechou o acesso à Esplanada dos Ministérios, a cerca de 13 quilômetros dali, para evitar que o grupo marchasse em direção ao Supremo Tribunal Federal (STF). Sem alternativa, os manifestantes mudaram a rota e foram até a entrada do condomínio.

Lá, um cordão policial impediu a aproximação de veículos, mas cerca de cem pessoas seguiram a pé, empunhando bandeiras e gritando frases como “O Brasil vai parar”. Entre eles estavam o deputado Evair de Melo (PP-ES) e o advogado Sebastião Coelho, crítico de Alexandre de Moraes — ministro responsável por determinar a prisão domiciliar de Bolsonaro.

A medida foi tomada por “descumprimento reiterado de medidas cautelares”. Segundo Moraes, o ex-presidente ignorou ordens do STF ao participar, mesmo que por vídeo, de um ato contra a Corte e a favor de anistia, realizado no domingo em Copacabana. O vídeo foi divulgado pelo senador Flávio Bolsonaro, mas apagado horas depois.

Réu no processo que investiga a tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições de 2022, Bolsonaro já estava proibido de usar redes sociais e de sair de casa à noite. Como violou as restrições, Moraes endureceu as condições, colocando-o agora em regime de prisão domiciliar.

Enquanto isso, do lado de fora, o coro e o som das buzinas ecoavam noite adentro, transformando a entrada do condomínio em uma mistura de vigília política e protesto barulhento — reflexo de uma Brasília que, mais uma vez, se vê dividida e em ebulição.

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