
Caixa aberta, país no aperto: a farra dos patrocínios sob o governo Lula
Enquanto o brasileiro aperta o cinto, a Caixa escancara o cofre e multiplica gastos para promover eventos, projetos e conveniências políticas
Sob o discurso social que Lula adora repetir em palanque, a prática segue outro ritmo — bem mais generoso quando o assunto é patrocínio. Desde o início do atual governo, a Caixa Econômica Federal resolveu abrir a torneira do dinheiro público e despejar cifras bilionárias em eventos, projetos culturais e entidades esportivas, como se não houvesse fila no SUS, rombo fiscal ou famílias endividadas no país.
Entre 2023 e 2025, o banco estatal destinou R$ 1,053 bilhão em patrocínios. Não é erro de digitação. É oito vezes mais do que foi gasto no mesmo período durante o governo Bolsonaro. Uma diferença tão grande que dispensa malabarismo retórico para ser explicada — basta olhar para a velha lógica do poder: aliados bem tratados, imagem bem polida e marketing travestido de política pública.
Foram 1.725 patrocínios, com média superior a R$ 600 mil por projeto, em uma escalada anual que não conhece freio: R$ 116 milhões em 2023, R$ 333 milhões em 2024 e impressionantes R$ 605 milhões em 2025. Tudo isso enquanto o governo fala em “responsabilidade fiscal” com a mesma convicção de quem pede fiado prometendo pagar “mês que vem”.
No governo Bolsonaro, com todos os seus defeitos, os números foram outros. De 2019 a 2021, a Caixa apoiou 523 projetos, somando R$ 130 milhões. Agora, sob Lula, o banco parece ter assumido o papel de patrocinador oficial do espetáculo político-cultural do Planalto.
Questionada, a Caixa responde com o velho texto burocrático, afirmando que os patrocínios seguem o planejamento estratégico e os limites orçamentários. Traduzindo do “economês institucional”: está tudo dentro da regra que eles mesmos escreveram.
No fim das contas, fica a sensação amarga de sempre. O governo que diz governar para os pobres não economiza quando o gasto rende aplauso, palco e foto bonita. A conta, como de costume, sobra para quem não dança no evento, não recebe patrocínio — mas paga imposto.