
Depois de afundar o RN, Fátima Bezerra mira o Senado como prêmio de consolação
PT ignora desgaste, crise no Estado e ruptura política e insiste em empurrar a governadora para Brasília
Depois de anos marcados por caos administrativo, desgaste político e um Rio Grande do Norte andando em marcha lenta, Fátima Bezerra resolveu que o próximo passo não é prestar contas — é subir de cargo. Mesmo após o rompimento oficial do vice-governador Walter Alves, o PT potiguar reafirmou que a governadora será candidata ao Senado, como se o histórico do governo fosse um detalhe irrelevante.
A decisão obriga Fátima a renunciar ao cargo até abril, abrindo espaço para uma eleição indireta e um governo-tampão escolhido a portas fechadas na Assembleia Legislativa. Ou seja: o eleitor que espere sentado. O PT já deixou claro que quer manter tudo “em casa” e lançará um nome próprio para ocupar o Palácio até dezembro, garantindo que o poder continue circulando no mesmo grupo.
Em nota, o partido tenta dourar a pílula com o velho discurso de sempre: defesa do Estado, combate à extrema direita e alinhamento irrestrito ao projeto nacional comandado por Lula. Palavras bonitas, mas que não apagam a realidade vivida pelo potiguar, que enfrentou um governo marcado por promessas não cumpridas, serviços precários e uma gestão que mais justificou do que resolveu.
Enquanto isso, Walter Alves se afasta e deixa claro que não pretende herdar um governo desgastado, confirmando sua migração para a oposição. O movimento escancara o racha político e desmonta a narrativa de estabilidade vendida pelo PT.
Ainda assim, o partido segue apostando que a população vai engolir a ideia de que quem deixou o Estado combalido agora merece uma cadeira no Senado. Para completar o pacote, o PT já empurra Cadu Xavier como pré-candidato ao governo, numa tentativa de garantir continuidade a um projeto que muitos potiguares gostariam de ver encerrado.
No fim, o roteiro é conhecido: o governo fracassa, mas o grupo político se protege. O Estado paga a conta, e a governadora tenta trocar o desgaste local pelo conforto de Brasília. Para o PT, a derrota administrativa vira detalhe; para o cidadão, vira rotina.