Câmeras flagram homens colando adesivos do PT em ônibus de Salvador durante a madrugada; Bruno Reis divulga imagens em meio à crise no transporte no dia da eleição

Câmeras flagram homens colando adesivos do PT em ônibus de Salvador durante a madrugada; Bruno Reis divulga imagens em meio à crise no transporte no dia da eleição

Prefeito de Salvador afirma que a colocação de propaganda eleitoral nos coletivos provocou atrasos na saída de veículos para as ruas no segundo turno de 2026. Episódio gerou confronto de versões entre a Prefeitura, o PT e o Sindicato dos Rodoviários, mobilizou a Justiça Eleitoral e levantou questionamentos sobre o acesso dos eleitores ao transporte público.

1. Imagens de segurança colocam adesivagem de ônibus no centro da polêmica eleitoral

Imagens de câmeras de segurança divulgadas em 25 de outubro de 2026 pelo prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), mostram homens colocando adesivos com símbolos e o número 13, associado ao Partido dos Trabalhadores (PT), em ônibus do transporte coletivo da capital baiana. Os registros foram apresentados durante a crise provocada por atrasos na circulação de veículos nas primeiras horas do segundo turno das eleições presidenciais.

O material divulgado mostra pessoas reunidas dentro de uma garagem de ônibus, manuseando adesivos e se aproximando dos coletivos. Em uma das imagens reproduzidas pela imprensa, um homem vestido de vermelho, com um adesivo do PT na camiseta, aparece colocando material com o número 13 na parte dianteira de um ônibus. Outros registros mostram um grupo com adesivos nas mãos.

Bruno Reis divulgou as imagens nas redes sociais e sustentou que a colocação da propaganda eleitoral nos veículos contribuiu para atrasar a saída de parte da frota. Segundo a versão apresentada pelo prefeito, as empresas de transporte determinaram a retirada dos adesivos para evitar que os ônibus circulassem com propaganda eleitoral considerada irregular.

O episódio ganhou relevância porque ocorreu justamente no dia em que milhões de brasileiros estavam mobilizados para votar no segundo turno da eleição presidencial. Em Salvador, passageiros relataram dificuldades para utilizar o transporte público, enquanto a disputa entre a Prefeitura e representantes do PT chegava à Justiça Eleitoral.

As imagens, entretanto, não encerram a controvérsia. A identificação de todos os envolvidos, a eventual vinculação deles a organizações ou entidades e a responsabilidade pelos atrasos precisam ser estabelecidas por meio de investigação.

2. O que Bruno Reis afirmou sobre a colocação dos adesivos

O prefeito atribuiu o problema a uma intervenção realizada nas garagens antes da saída dos ônibus. De acordo com seu relato, a presença de propaganda partidária nos veículos levou as empresas a exigir a retirada do material antes de liberar os coletivos para a operação.

A justificativa apresentada pela administração municipal foi a necessidade de cumprir as regras eleitorais que vedam a veiculação de propaganda partidária ou eleitoral no transporte público nas condições estabelecidas pela regulamentação aplicável.

Bruno Reis afirmou que a Prefeitura decidiu autorizar a saída dos ônibus mesmo com alguns adesivos, buscando evitar que a retirada do material provocasse ainda mais demora e prejudicasse os passageiros que precisavam chegar aos locais de votação.

Segundo o prefeito, a operação foi normalizada por volta das 10h30, com ampliação da quantidade de veículos em circulação ao longo do dia.

A versão municipal, portanto, é que a adesivagem e a necessidade de retirar a propaganda interferiram na logística das garagens e contribuíram para o atraso inicial. Essa explicação, contudo, precisa ser confrontada com os registros operacionais das empresas, os horários efetivos de saída dos coletivos e os demais elementos reunidos pelas autoridades.

3. Sindicato dos Rodoviários nega participação na retenção dos coletivos

A divulgação das imagens também provocou questionamentos sobre a possível participação de pessoas ligadas ao movimento sindical.

Bruno Reis atribuiu a ação a indivíduos que, segundo ele, teriam ligação com o sindicalismo dos rodoviários. A responsabilidade individual dos homens que aparecem nos registros, porém, ainda precisa ser esclarecida.

O Sindicato dos Rodoviários de Salvador negou participação na retenção dos ônibus e contestou a tentativa de responsabilizar a categoria pelo problema no transporte público.

A entidade afirmou que os trabalhadores escalados para atuar no dia da eleição compareceram aos postos de trabalho e sustentou que a organização das escalas, dos plantões e da liberação dos veículos envolve a gestão municipal e as empresas concessionárias.

A divergência é central para a apuração: de um lado, a Prefeitura apresenta a adesivagem como fator que interferiu na operação; de outro, o sindicato nega responsabilidade pela retenção dos coletivos.

Até que os envolvidos sejam identificados e as circunstâncias sejam esclarecidas, não é possível atribuir a todos os trabalhadores, a dirigentes sindicais ou a integrantes do PT a responsabilidade pelos acontecimentos com base apenas nas imagens divulgadas.

4. Justiça Eleitoral determinou a retomada integral do transporte público

A crise no transporte de Salvador chegou ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) ainda no domingo, 25 de outubro. A Federação Brasil da Esperança, formada pelo PT, pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e pelo Partido Verde (PV), acionou a Justiça Eleitoral para questionar a oferta de ônibus durante o segundo turno.

A federação alegou que a frota disponível estava reduzida em mais de 50% em relação à operação dos dias úteis e que a situação poderia dificultar o deslocamento dos eleitores até os locais de votação.

O pedido foi acompanhado de registros que, segundo os representantes partidários, mostravam ônibus parados nas garagens. A disputa passou a envolver duas questões distintas: a alegação da Prefeitura de que a retirada de propaganda irregular atrasou a saída dos coletivos e a denúncia de que a quantidade de veículos em circulação era insuficiente para atender aos eleitores.

O presidente do TRE-BA, desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento integral do serviço, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade para os passageiros. A decisão estabeleceu multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento.

A determinação judicial buscou assegurar que a população tivesse condições de se deslocar durante a votação. A existência de uma ordem para recompor a frota, entretanto, não significa que todas as alegações apresentadas pelas partes tenham sido definitivamente comprovadas.

5. Ordem de prisão contra secretário municipal foi revogada

Outro desdobramento importante foi a determinação de prisão em flagrante de Pablo Souza, secretário municipal de Mobilidade de Salvador, durante o domingo eleitoral.

A medida foi expedida no contexto da crise envolvendo a oferta de ônibus e o cumprimento da ordem de restabelecimento integral do transporte público. O secretário estava na França, em viagem oficial, e não chegou a ser preso.

Nesta segunda-feira, 26 de outubro, o presidente do TRE-BA revogou a ordem. Segundo as informações divulgadas sobre a decisão, o magistrado considerou que, com o encerramento da votação, a prisão havia perdido sua finalidade imediata e poderia assumir caráter meramente punitivo.

A revogação não encerrou a apuração sobre os problemas de transporte.

O tribunal determinou o encaminhamento dos autos à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal para investigação de possíveis irregularidades eleitorais. Também requisitou documentos da Prefeitura, da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) e das empresas concessionárias, incluindo escalas de motoristas, ordens de serviço, registros de monitoramento da frota e comunicações internas.

Os documentos deverão ajudar a esclarecer quantos ônibus estavam disponíveis, quantos efetivamente circularam, em que horários houve atrasos e quais fatores contribuíram para a situação.

A investigação deverá distinguir eventuais responsabilidades administrativas de possíveis responsabilidades eleitorais ou criminais. Até a conclusão das apurações, não cabe tratar qualquer suspeita como condenação definitiva.

6. O que as imagens podem esclarecer — e o que ainda falta provar

A divulgação dos registros de segurança acrescenta um elemento relevante à investigação, porque permite examinar a movimentação de pessoas dentro das garagens e a colocação de materiais de propaganda nos ônibus.

Entretanto, para determinar a responsabilidade pelos transtornos, será necessário esclarecer questões fundamentais:

  • Identificação: quem são os homens que aparecem nas imagens e se existe comprovação de vínculo com alguma entidade, partido ou organização.
  • Cronologia: em que horário os adesivos foram colocados, quando as empresas decidiram removê-los e quanto tempo a operação ficou comprometida.
  • Quantidade de veículos: quantos ônibus deixaram de circular, por quanto tempo e quais foram os motivos registrados pelas empresas.
  • Responsabilidade operacional: quem determinou a retenção dos coletivos e quais providências foram adotadas pela Prefeitura e pelas concessionárias.
  • Impacto sobre os eleitores: se os atrasos impediram ou dificultaram o comparecimento de pessoas às seções eleitorais e em que proporção.
  • Regularidade eleitoral: se houve infração às regras sobre propaganda e se existem elementos que indiquem intenção de interferir no exercício do voto.

Esses pontos são essenciais para que as imagens não sejam utilizadas como prova de conclusões que elas, isoladamente, não permitem estabelecer.

7. Por que o episódio provocou uma disputa política

A polêmica ocorreu em um ambiente de forte polarização política. Bruno Reis, do União Brasil, integra o grupo político baiano que apoiou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, enquanto o PT estava diretamente envolvido na disputa presidencial.

A Federação Brasil da Esperança questionou a oferta de transporte e recorreu à Justiça. A Prefeitura, por sua vez, atribuiu os atrasos à necessidade de retirar os adesivos colocados nos coletivos.

O episódio produziu acusações de ambos os lados e transformou uma questão operacional em um dos principais conflitos políticos e judiciais do dia em Salvador.

A divulgação das imagens pelo prefeito também abriu uma discussão sobre a utilização de veículos públicos para exibir propaganda eleitoral. O transporte coletivo é um serviço destinado à população, e sua operação no dia da eleição precisa observar as regras eleitorais e garantir condições adequadas de deslocamento, sem discriminação entre eleitores.

A apuração deve verificar tanto a legalidade da adesivagem quanto a suficiência do serviço de transporte. Uma eventual irregularidade na colocação dos adesivos não elimina a obrigação de assegurar o funcionamento adequado dos ônibus; da mesma forma, eventuais falhas operacionais não tornam automaticamente legal a propaganda aplicada aos veículos.

8. O que se sabe até agora

Até 26 de outubro de 2026, os principais fatos do caso são:

  • Câmeras de segurança registraram pessoas colocando adesivos do PT em ônibus de Salvador durante a madrugada de domingo.
  • Bruno Reis divulgou as imagens e atribuiu à adesivagem parte dos atrasos na saída dos coletivos.
  • A Prefeitura afirmou que a operação foi normalizada por volta das 10h30.
  • O Sindicato dos Rodoviários negou participação na retenção dos ônibus e contestou a atribuição de responsabilidade à categoria.
  • A Federação Brasil da Esperança acionou a Justiça Eleitoral, alegando redução da frota e dificuldades para o deslocamento dos eleitores.
  • O TRE-BA determinou o restabelecimento integral do transporte, com multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento.
  • A ordem de prisão contra o secretário Pablo Souza foi revogada nesta segunda-feira, sem encerramento das investigações.
  • A apuração deverá esclarecer a adesivagem, a operação da frota e as possíveis responsabilidades dos envolvidos.

As informações sobre as imagens e as versões das partes foram divulgadas pelo Poder360, pelo Mais Região e por outros veículos que acompanharam a ocorrência. Os desdobramentos judiciais desta segunda-feira foram noticiados pelo UOL.

Conclusão: imagens exigem esclarecimentos, mas a investigação precisa alcançar todos os responsáveis

A divulgação das gravações por Bruno Reis acrescentou evidências visuais à discussão sobre a colocação de propaganda eleitoral nos ônibus de Salvador. O material deverá ser examinado pelas autoridades para identificar os envolvidos e esclarecer as circunstâncias da ação.

O caso também exige uma apuração rigorosa sobre os atrasos no transporte público, especialmente porque ocorreram durante o segundo turno das eleições presidenciais, quando o acesso aos locais de votação era fundamental para o exercício do direito ao voto.

Se forem confirmadas infrações eleitorais ou outras irregularidades, os responsáveis deverão responder conforme a legislação aplicável. Da mesma forma, eventuais falhas na oferta do transporte precisam ser investigadas, independentemente da posição política dos envolvidos.

O ponto central é garantir transparência, preservar as provas e esclarecer os fatos sem transformar suspeitas em conclusões antecipadas. A população de Salvador tem direito tanto a um transporte público adequado quanto a eleições em que nenhum obstáculo indevido dificulte o exercício da cidadania.

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