
“Campeã do asfalto” explode em contratos no governo Lula sob nuvem de suspeitas
Construtora investigada pela PF e CGU fatura bilhões enquanto irregularidades se acumulam em obras federais
Enquanto o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tenta sustentar um discurso de reconstrução institucional, os números mostram outra realidade nos bastidores das obras públicas. A LCM Construção e Comércio, hoje apelidada nos corredores de Brasília de “campeã do asfalto”, registrou um crescimento vertiginoso em contratos federais justamente no atual mandato petista — tudo isso sob investigações da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Somente na atual gestão, a construtora firmou cerca de R$ 8,3 bilhões em contratos, valor que supera com folga o registrado no mesmo período do governo anterior. O avanço chama atenção não apenas pelo montante, mas pelo contexto: suspeitas de cartel, superfaturamento, fraude em licitações e uso de influência política para liberação de recursos públicos.
Obras bilionárias, controle frágil e velhos métodos
Com sede em Belo Horizonte, a LCM saltou de uma atuação discreta para o topo do ranking nacional de pavimentação após fechar 128 contratos com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes em 22 estados. Relatórios de órgãos de controle apontam situações graves, como pagamento por serviços não executados, duplicidade de cobranças e medições incompatíveis com a realidade das obras.
Em alguns trechos auditados, a empresa teria recebido valores equivalentes a camadas de asfalto até 12 vezes mais espessas do que as efetivamente aplicadas. Mesmo diante de alertas técnicos, os repasses seguiram ocorrendo, o que levanta dúvidas sobre a fiscalização e a responsabilidade do governo federal.
Política, bastidores e suspeitas de cartel
As investigações também apontam relações perigosas entre empresários, agentes públicos e figuras políticas influentes. No Amapá, apurações indicam troca de mensagens, documentos sigilosos e articulações para direcionamento de licitações antes mesmo da publicação dos editais. Há indícios de que pressões políticas tenham sido usadas para acelerar empenhos e liberar recursos.
Além disso, o Cade identificou fortes sinais de cartel, como empresas concorrentes participando de pregões a partir do mesmo endereço de IP, divisão prévia de mercado e simulação de competição — práticas que corroem o princípio da livre concorrência e drenam recursos públicos.
Um governo cercado por desconfiança
Embora a empresa alegue “capacidade técnica” e negue irregularidades, o acúmulo de investigações e evidências técnicas desenha um cenário preocupante. Para críticos do governo, o caso expõe um padrão conhecido: grandes contratos, fiscalização frágil e suspeitas de corrupção orbitando o poder central.
No discurso oficial, o Planalto fala em ética e governança. Na prática, casos como o da LCM reforçam a percepção de que, sob Lula, o Estado voltou a ser um terreno fértil para esquemas, favorecimentos e negócios que prosperam à sombra do dinheiro público.