
CPI do INSS convoca filho de ex-diretor e quebra sigilos de dirigentes do sindicato ligado ao irmão de Lula
Durante depoimento do presidente do Sindnapi, alvo da PF, comissão aprova novas quebras de sigilo enquanto investigados se calam diante dos parlamentares.
A CPI do INSS, em sessão desta quinta-feira (9), aprovou a convocação do advogado Eric Fidelis, filho do ex-diretor de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), André Fidelis, investigado por envolvimento no esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.
De acordo com a Polícia Federal, o escritório do advogado teria sido usado para receber propinas do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, apontado como um dos articuladores do esquema de fraudes.
Além da convocação, os parlamentares aprovaram também a quebra de sigilos bancário e fiscal de dirigentes do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), entre eles o atual presidente Milton Baptista de Souza Filho, o “Milton Cavalo”, sua esposa Daugliesi Souza, e o ex-presidente João Batista Inocentini, falecido em 2023.
O Sindnapi, que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o “Frei Chico” — irmão do presidente Lula —, foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira. Frei Chico, no entanto, não é mencionado no inquérito e não teve sigilo quebrado.
Durante a sessão, Milton Cavalo compareceu à CPI, mas permaneceu em silêncio, amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino, que o isentou de responder às perguntas dos parlamentares. A defesa alegou que o sindicalista estava “sem condições psicológicas” para depor devido à operação da PF ocorrida no mesmo dia.
A decisão de Dino foi criticada pelo presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que classificou a situação como “uma vergonha”. Já o relator Alfredo Gaspar (União-AL) afirmou que Cavalo “merecia estar preso” após o silêncio do depoente até mesmo sobre questões básicas sobre o funcionamento do sindicato.
Durante a mesma sessão, a base do governo Lula conseguiu barrar um pedido de quebra de sigilo fiscal e telemático do advogado Paulo Boudens, ex-chefe de gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por 17 votos a 13. A PF aponta que Boudens recebeu R$ 3 milhões da empresa Arpar Participações, usada como “conta de passagem” pelo careca do INSS.
O Sindnapi, em nota, declarou ter sido surpreendido com a operação e repudiou as suspeitas de fraude:
“Reiteramos nosso absoluto repúdio e indignação diante de alegações de delitos em nossa administração. Comprovaremos a lisura de nossas ações, sempre em defesa da dignidade de nossos associados.”
Enquanto isso, o escândalo de fraudes que sangra a Previdência e atinge milhares de aposentados segue se aprofundando, revelando um emaranhado de interesses, favores e silêncios que ecoam pelos corredores do poder.