Cara a cara no STF: Freire Gomes e Anderson Torres confrontam versões sobre reuniões golpistas

Cara a cara no STF: Freire Gomes e Anderson Torres confrontam versões sobre reuniões golpistas

Sessão sigilosa comandada por Moraes confronta depoimentos divergentes sobre encontros com Bolsonaro e planos antidemocrático

Nesta terça-feira (24), o Supremo Tribunal Federal realizou uma acareação decisiva entre dois personagens centrais dos bastidores políticos pós-eleições de 2022: o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército. O encontro cara a cara foi comandado pelo ministro Alexandre de Moraes e aconteceu a portas fechadas, longe das câmeras e do público.

A acareação foi solicitada pelos advogados de Torres, após inconsistências entre os depoimentos dele e de Freire Gomes virem à tona durante a investigação. O objetivo era confrontar as versões sobre reuniões nas quais teriam sido discutidas medidas de ruptura institucional, como decretar estado de defesa ou de sítio — e até uma possível intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo Freire Gomes, Torres teria participado de uma ou duas reuniões, mas apenas para tratar de questões jurídicas, sem demonstrar envolvimento direto. No entanto, em declarações posteriores à Polícia Federal, o general reconheceu que o ex-ministro mencionou termos como GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e outras ações com forte conotação autoritária.

O episódio ganhou contornos ainda mais delicados quando o próprio Freire relatou ter sido apresentado à minuta de um decreto que previa instaurar estado de defesa no TSE. O documento foi encontrado na casa de Torres e previa ainda a criação de uma comissão para revisar o processo eleitoral.

Anderson Torres nega todas as acusações. Afirma que nunca participou de reuniões com esse tipo de conteúdo nem ofereceu qualquer parecer jurídico a Jair Bolsonaro com intenções golpistas. A defesa dele sustenta que registros do Palácio da Alvorada provam que Torres e Freire Gomes não estiveram juntos nas datas apontadas como cruciais — o que, segundo os advogados, derruba a versão do general.

Além disso, os advogados de Torres acusam Freire Gomes de apresentar um relato genérico, sem precisão sobre os locais, as datas ou os participantes desses encontros. Para eles, a falta de clareza compromete o direito à ampla defesa e coloca em dúvida a confiabilidade dos depoimentos do militar.

A sessão no STF não foi transmitida e não haverá divulgação de áudios ou vídeos. No entanto, o tribunal deve liberar a ata com o resumo do que foi dito durante a acareação.

Esse tipo de confronto é usado em processos quando há declarações contraditórias e serve para pressionar as partes a esclarecerem pontos divergentes. Agora, com a acareação feita, caberá ao STF avaliar o impacto desses depoimentos nas investigações sobre uma possível tentativa de golpe após a derrota eleitoral de Bolsonaro.

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