
Justiça venezuelana coloca Delcy Rodríguez no comando do país após prisão de Maduro
Decisão da Suprema Corte aponta medida provisória para manter o funcionamento do governo enquanto presidente permanece sob custódia nos Estados Unidos
A Suprema Corte da Venezuela decidiu, na noite de sábado, transferir temporariamente o comando do país para a vice-presidente Delcy Rodríguez. A medida ocorre quase um dia após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar de grande escala conduzida pelos Estados Unidos. Detido, Maduro foi levado ao território americano, onde deverá responder a processos judiciais.
Apesar da prisão, integrantes do alto escalão chavista vinham sustentando que Maduro continuava sendo o único presidente legítimo da Venezuela. Ainda assim, a Sala Constitucional do tribunal entendeu que a situação exigia uma solução imediata para evitar um vácuo de poder.
Segundo a decisão, Delcy Rodríguez passa a exercer, na condição de presidente encarregada, todas as atribuições do cargo. O tribunal justificou a medida como necessária para assegurar a continuidade administrativa do Estado e a defesa do país, classificando a ação americana como uma “agressão militar estrangeira” com o objetivo de capturar o chefe de Estado venezuelano.
O afastamento de Maduro, segundo os magistrados, é tratado como temporário. O mandato provisório de Rodríguez terá duração inicial de até 90 dias, podendo ser estendido por igual período caso a Assembleia Nacional — controlada pelo chavismo — assim decida. Se, ao final de 180 dias, Maduro não reassumir o cargo, a Constituição prevê a convocação de novas eleições presidenciais.
A operação que resultou na prisão do presidente teria envolvido dezenas de aeronaves, navios e tropas de elite dos EUA. Autoridades venezuelanas afirmam que a ação deixou ao menos 40 mortos. Após o episódio, o presidente americano Donald Trump declarou que Washington passaria a exercer controle sobre a Venezuela durante o processo de transição e chegou a mencionar Delcy Rodríguez de forma positiva.
Rodríguez, que já ocupou o cargo de chanceler e participou de negociações com os EUA envolvendo o setor petrolífero e empresas americanas, como a Chevron, vinha sendo vista por Washington como uma interlocutora estratégica. Mesmo assim, antes da decisão judicial, ela reiterou publicamente apoio a Maduro, exigiu sua libertação imediata e afirmou que o governo resistiria a qualquer interferência estrangeira.
Até o momento, Delcy Rodríguez não se pronunciou oficialmente sobre a determinação da Suprema Corte.