Caso Banco Master reacende questionamentos sobre Moraes na PGR

Caso Banco Master reacende questionamentos sobre Moraes na PGR

Nova representação e ofensiva no Senado colocam atuação do ministro novamente no centro do debate

A Procuradoria-Geral da República (PGR) voltou a analisar a conduta do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no episódio envolvendo o Banco Master. Uma nova representação foi apresentada no domingo (28) pelo vereador Guilherme Kilter (Novo), de Curitiba, e agora está sob avaliação da equipe do procurador-geral Paulo Gonet.

O pedido chega poucos dias após o próprio Gonet ter arquivado uma solicitação semelhante, protocolada pelo advogado Enio Martins Murad. Na decisão divulgada no sábado (27), o procurador-geral afirmou que não encontrou elementos concretos que indicassem irregularidades, classificando as acusações como baseadas em suposições extraídas de reportagens jornalísticas.

Apesar do arquivamento inicial, o tema ganhou novo fôlego no Congresso Nacional. Parlamentares da oposição, liderados pelo deputado Cabo Gilberto (PL-PB), apresentaram nesta segunda-feira (29) um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes no Senado, intensificando a pressão política sobre o ministro.

Tanto a nova representação quanto a ofensiva parlamentar foram motivadas por reportagens publicadas pelos jornais O Globo e Estadão. As matérias relataram contatos frequentes entre Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar da situação do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. Segundo os jornais, o ministro teria feito diversas ligações telefônicas e também participado de reuniões presenciais sobre o tema.

Uma das reportagens destacou que, em um único dia, Moraes teria realizado várias chamadas relacionadas à tentativa de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), operação que acabou sendo barrada pelo Banco Central.

Na avaliação do vereador Guilherme Kilter, os fatos divulgados pela imprensa sugerem uma pressão excessiva sobre a autoridade monetária. Já na representação arquivada anteriormente, o advogado Enio Murad argumentava que a atuação poderia caracterizar tráfico de influência ou advocacia administrativa, mencionando ainda um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que previa pagamentos mensais por um período de três anos.

Ao justificar o arquivamento, Paulo Gonet afirmou não ter identificado indícios objetivos de ilegalidade, nem nos contatos entre o ministro e o Banco Central, nem no contrato de prestação de serviços advocatícios. Segundo ele, as reportagens não apresentaram provas suficientes para sustentar a abertura de investigação e ainda esbarram nas limitações impostas pelo sigilo da fonte jornalística.

Em manifestação pública recente, Alexandre de Moraes declarou que suas conversas com Gabriel Galípolo trataram exclusivamente da Lei Magnitsky, sanção aplicada pelo governo dos Estados Unidos contra ele, e não da situação do Banco Master.

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