
Moraes pressiona defesa de Filipe Martins e fala em prisão por suposto uso de rede social
Ex-assessor de Bolsonaro é cobrado a se explicar após denúncia de acesso ao LinkedIn durante prisão domiciliar
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Filipe Martins, ex-assessor internacional do ex-presidente Jair Bolsonaro, apresente explicações em até 24 horas sobre o suposto uso da rede social LinkedIn enquanto cumpre prisão domiciliar.
A ordem foi expedida após a inclusão, no processo, de uma informação indicando que Martins teria acessado a plataforma para pesquisar perfis de outras pessoas. Entre as medidas cautelares impostas a ele está a proibição total de uso de redes sociais, inclusive por meio de terceiros. O descumprimento pode levar à conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva.
Segundo o despacho de Moraes, a denúncia foi registrada no dia 29 de dezembro e, caso a defesa não apresente justificativa considerada válida, Martins poderá ser encaminhado a um presídio, conforme prevê o Código de Processo Penal.
Filipe Martins foi condenado a 21 anos de prisão no julgamento do chamado “núcleo 2” da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado. A sentença ainda não transitou em julgado. A prisão domiciliar foi decretada no dia 26 de dezembro, após a fuga e posterior prisão do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, no Paraguai. Para Moraes, a situação indicaria risco de evasão por parte de outros réus.
A defesa, no entanto, reagiu duramente. O advogado Jeffrey Chiquini classificou a decisão como mais um episódio de perseguição política e questionou a mudança repentina de entendimento do ministro. Segundo ele, há poucas semanas o próprio Moraes havia reconhecido que Filipe Martins vinha cumprindo todas as medidas cautelares de forma exemplar.
“O que mudou de lá para cá? Ele sempre esteve com tornozeleira eletrônica, sem sair da cidade e obedecendo todas as restrições”, afirmou o advogado. Chiquini também questionou a relação entre a situação de Martins e a fuga de outro investigado, destacando que não há vínculo direto entre os dois casos.
Além da prisão domiciliar, Filipe Martins está sujeito a uma série de restrições, como entrega do passaporte, proibição de porte de armas, limitação de visitas apenas a advogados e impedimento absoluto de acesso a redes sociais.
Até o momento da publicação, a defesa ainda não havia apresentado resposta formal nos autos. O espaço segue aberto para manifestação.