Caso em concurso público gera indignação e lança suspeitas sobre gestão de João Campos

Caso em concurso público gera indignação e lança suspeitas sobre gestão de João Campos

Reclassificação tardia beneficia filho de procuradora e levanta questionamentos sobre lisura e igualdade

A gestão do prefeito do Recife, João Campos (PSB), passou a ser alvo de fortes críticas após a nomeação de um candidato que saltou da 63ª para a 1ª colocação em um concurso público municipal. A mudança ocorreu três anos depois da prova e beneficiou o filho de uma procuradora ligada a um órgão de controle do Estado, o que gerou revolta e desconfiança.

O candidato, Lucas Vieira Silva, participou do concurso para procurador do município em dezembro de 2022 como concorrente da ampla concorrência. Apenas em 2025, ele apresentou um laudo médico que atesta Transtorno do Espectro Autista (TEA) e solicitou a mudança para a lista de pessoas com deficiência (PCD). Com isso, foi reclassificado em primeiro lugar nessa modalidade e acabou nomeado.

A decisão foi aceita pela Procuradoria-Geral do Município e oficializada por meio de portaria assinada pelo próprio prefeito João Campos. O episódio provocou indignação porque a reclassificação ocorreu fora do momento previsto no edital, que exigia a apresentação do laudo já no ato da inscrição.

A nomeação resultou na exclusão de outro candidato PCD, o advogado Marko Venicio dos Santos, que havia sido o único classificado nessa categoria desde a homologação original e aguardava a convocação havia mais de dois anos. Diagnosticado desde a infância com deficiência motora, ele afirma ter sido surpreendido e prejudicado pela mudança administrativa.

O caso gerou reação política e jurídica. Um vereador do Recife protocolou representação no Ministério Público de Pernambuco e apresentou notícia-crime à Polícia Civil, pedindo investigação sobre as circunstâncias da reclassificação. Para críticos da gestão municipal, o episódio abre um precedente perigoso e fragiliza a confiança nos concursos públicos, especialmente quando envolve familiares de autoridades.

Embora a Prefeitura sustente que o procedimento foi legal e respaldado administrativamente, o episódio alimenta a percepção de privilégio e reforça críticas à condução política de João Campos. Para muitos, o caso simboliza uma grave distorção do princípio da igualdade, afetando justamente aqueles que mais dependem das políticas de inclusão e da segurança jurídica para acessar o serviço público.

O debate agora se concentra não apenas na legalidade do ato, mas também na responsabilidade política e ética da administração municipal diante de um episódio que abalou expectativas, gerou repúdio popular e colocou em xeque a credibilidade do processo seletivo.

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