
“Caso Master tem cheiro de crime organizado”, diz Alessandro Vieira
Senador cobra CPMI e aponta suspeitas de relações do banco com autoridades dos Três Poderes, incluindo o STF
Com assinaturas suficientes para sair do papel, a CPMI do Banco Master agora depende apenas do retorno do Congresso e de uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Em entrevista ao Correio Braziliense, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que a instalação da comissão não é “favor”, nem “boa vontade”: é um direito constitucional da minoria.
Vieira diz que há sinais preocupantes de possíveis conexões indevidas entre o grupo controlador do Banco Master — ligado ao empresário Daniel Vorcaro — e autoridades dos Três Poderes, principalmente no Judiciário. Ele cita indícios como contratos milionários com familiares de ministros do STF, movimentações financeiras incomuns, negociações imobiliárias sob suspeita e decisões judiciais que, segundo ele, fogem do padrão.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
O pedido de CPMI já tem assinaturas suficientes. O que o senhor espera após o recesso?
Com a volta dos trabalhos na próxima semana, o presidente do Senado precisa tomar uma decisão. Ele até pode tentar empurrar com a barriga, atrasar… mas impedir, não pode. A CPMI é um direito constitucional da minoria, e isso precisa ser respeitado.
Além da liquidação do banco pelo BC, o que pesa para justificar uma CPMI?
O que pesa é a repetição de notícias e indícios de uma relação no mínimo estranha entre o grupo controlador do Banco Master e figuras públicas nos Três Poderes. Essas conexões precisam ser investigadas a fundo, especialmente as que envolvem o STF, com pagamentos elevados a familiares de ministros. Uma CPI tem o dever de entrar nesse território.
Em que ponto esses contratos levantam suspeita de conflito de interesses ou influência indevida?
Os valores fogem completamente do normal, e o mais grave: parece não existir contraprestação jurídica que justifique tudo isso. No caso do escritório ligado à família do ministro Alexandre de Moraes, por exemplo, não aparecem petições, ações, reuniões ou movimentações que expliquem pagamentos tão altos.
Também existem dúvidas sobre valores em transações imobiliárias envolvendo o grupo do Banco Master e familiares do ministro Dias Toffoli. E, paralelamente, há relatos de atuação irregular do ministro Alexandre em contatos com o Banco Central, além de decisões e despachos do ministro Toffoli que, na minha avaliação, estão fora do padrão esperado para a condução de um processo no STF.
Somando tudo, o cenário exige investigação séria.
Se a CPMI for instalada, qual será o primeiro passo?
O início é básico e objetivo: confirmar tudo. Primeiro, os contratos e as movimentações financeiras. Depois, verificar se existiu contraprestação real. E, a partir daí, entender o que estava por trás dessas operações: qual era o objetivo verdadeiro desse dinheiro circulando.
Há resistência no Senado para instalar a CPMI?
Até agora, não dá pra dizer. Estamos em recesso. Esse cenário vai ficar mais claro na próxima semana.
O Banco Central apontou falhas graves. Outros órgãos demoraram a agir?
Pode até existir alguma lentidão dos órgãos de controle, mas, por enquanto, não há elementos que apontem favorecimento. Isso pode mudar com o avanço das investigações, e aí sim pode exigir uma postura mais firme.
Se a CPMI não avançar, o senhor pretende levar o caso adiante de outro jeito?
Sim. Vamos apresentar requerimentos dentro da CPI do Crime Organizado, que já está funcionando. Vamos pedir quebras de sigilo e depoimentos, porque a atuação do Banco Master tem indícios de crime organizado e isso precisa ser apurado, com CPMI ou sem CPMI.